A importância da prevenção aos acidentes de trabalho no Brasil

Enviada em 20/04/2021

Uma postura destituída de empatia diante do sofrimento alheio. Essa é uma das características retratadas no quadro “O grito” do pintor Edvard Munch, em que se constata a indiferença dos personagens, ao fundo da tela, em relação à figura do plano central. Contudo, essa problemática não se limita à arte expressionista, já que , na realidade brasileira, as vítimas da falta de prevenção aos acidentes de trabalho também não têm sido assistidas pelo Poder Público e por parte da população. Nesse prisma, é relevante analisar essa questão no país.

Primeiramente, nota-se que, ao permitir a falta de conscientização sobre a importância da notificação dos acidentes para evitar a reincidência destes, o Poder Público mostra-se omisso. Isso porque uma pessoa que se acidentou no trabalho pode sentir vontade de não emitir o documento oficial de registro. Entretanto, o receio de que outros funcionários também se tornem vítimas tenderia a se tornar um elemento de inibição. Sendo assim, vê-se que o indivíduo está em constante conflito entre os impulsos inconscientes (Id) e a consciência dos limites sociais (Superego), comprovando os estudos psicanalíticos de Sigmund Freud.

Além disso, verifica-se que aceitar os altos índices de acidentes de trabalho é naturalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem se mostrado inerte diante da ausência de investimento financeiro, uma vez que faltam verbas para garantir a inspeção periódica das condições de trabalho nas empresas, o que compromete a segurança dos funcionários e restringe o direito à saúde destes. Dessa forma, pontua-se que esse fato ratifica os estudos da filósofa Hannah Arendt, pois, segundo ela, a população apresenta-se incapaz de diferenciar o certo do errado devido a um processo de massificação social, causando a aceitação de quadros negativos.

Convém, portanto, ressaltar que a falta de prevenção aos acidentes de trabalho deve ser combatida. Para isso, é necessário que o Estado amplie o processo de conscientização, por meio de projetos educaticos nas empresas com especialistas da área, priorizando mostrar a relevância de expor os detalhes da ocorrência do acidente, com o objetivo de tipificá-lo e, assim, evitá-lo. Ademais, deve haver uma sensibilização populacional, via campanhas midiáticas promovidas por ONGs, visando a expor sobre a importância de adotar questionamentos críticos diante dos acidentes de trabalho, o que potencializa a realização de mobilizações coletivas em prol do oferecimento de verbas para fiscalização frequente dos ambientes de trabalho, evitando, então, incidentes futuros. Desse modo, seria possível que a postura destituída de empatia se limitasse à arte expressionista.