A importância da prevenção aos acidentes de trabalho no Brasil
Enviada em 12/05/2021
A repercursão do fogo na vizinhança do “cortiço”, obra produzida no século XIX por Aluízio azevedo, evidencia mesmo que de modo ficcional, uma estrutura do Brasil pautada na precariedade da segurança e a pouca responsabilidade altruísta do coletivo na preservação de vidas. Semelhantemente, a situação contemporânea é pautada na busca de lucro, em detrimento, da prevenção aos acidentes de trabalho. Essa postura apática é intensificada pela desarticulação entre a responsabilidade citadina e a individual na fiscalização das instituições trabalhista, a qual minimiza a preservação dos cidadãos.
Inicialmente, é imprescindível analisar a imposição de padrões narcisistas que evitam a responsabilidade do bem estar-coletivo no espaço de trabalho. Conforme a análise do sociólogo Durkheim, no livro " As regras dos métodos sociológicos", as pessoas apresentam comportamentos condizentes com a exterioridade dos fatos sociais, que, por estarem inseridas no padrão de sucesso individual, herança da colônia, tendem a perpetuar a busca por lucro, em detrimento, da segurança social, a exemplo dos minérios retirados por indígenas no período aurífero, os quais não tinham acesso a saneamento básico e assistência médica. Infelizmente, esse comportamento é tão perpetuado que a tragédia na boate em Santa Maria apresentou grande precariedade de segurança(instintor e saída de emergência), além dos seguranças em sua área de trabalho terem evitado a evacuação das pessoas.
Outrossim, é importante frisar que Durkheim constanta, ainda, que essa apatia pela tranformação da realidade deve-se, sobretudo, ao estado anômico(representante da desordem), responsável pela pouca articulão entre as cidades e os cidadãos na fiscalização da segurança trabalhista. Tal situação é corroborada pelo acomodamento dos brasileiros que pouco se esforçam para atuar nas cidades com o intuito de fiscalizar ou atuar no combate a irresponsabilidades que compromentem a segurança. Desse modo, acidentes tornam-se corriqueiros e repetidos de forma mais absurda que no “cortiço”, tal como o rompimento da barragem em Mariana, onde milhares faleceram pelo descaso empresarial que pouco investiu na segurança, principalmente, dos trabalhadores, primeiros a serem atingidos pelo acidente,além dos cidadãos que não pediram recursos para fiscalização da barragem e de alarmes.
Portanto, é imperioso a estruturação de cidades e cidadãos que cooparticipem na prevenção aos acidentes de trabalho. Esse projeto deve ser liderado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que promoverá uma maior integração entre as cidades no combate a irregularidades que prejudiquem o meio aimbiente e a vida, através de associações pelo aplicativo desenvolvido, a partir do qual os cidadãos terão a oportunidade de denunciar injustiças e exigir a fiscalização de áreas de risco no trabalho,com o intuito de que a união entre as pessoas e as cidades fortaleça os direitos cívicos.