A importância da prevenção aos acidentes de trabalho no Brasil
Enviada em 18/05/2021
Para o sociólogo Émile Durkheim, o trabalho deve ser uma instituição de coesão social e livre de injustiças. Todavia, tal tese não prevalece na atual civilização, uma vez que mais de 700.000 pessoas já sofreram AVC (Acidente Vascular Cerebral) em 2020 devido a longas jornadas de trabalho segundo a Organização Mundial da Saúde. Desse modo, emerge a questão da saúde no trabalho, que na maioria das vezes é negligênciada devido ao capitalismo e ao silenciamento.
Em primeira análise, é necessário reconhecer que o atual sistema econômico e social é um fator latente do problema. Segundo o sociólogo Max Weber em seu livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, o capitalismo estabelece a máxima de que a valorização do indivíduo se dá apenas com o trabalho. Nesse sentido, nota-se que esse modelo de produção interfere negativamente na vida dos trabalhadores, pois alienados com a ideia de que só vão se sentir completos e realizados em seus empregos, podem começar a trabalhar exaustivamente.
Sob outro olhar, há também a falta de debate sobre o tema. De acordo com o filósofo Foucault, os problemas sociais são silenciados para que algumas estruturas de poder sejam mantidas. Nessa perspectiva, observa-se que a maioria das empresas não proporcionam discussões sobre a importância da saúde no trabalho para contribuir na alienação de seus empregados, que por sua vez não irão reconhecer e debater sobre seus direitos.
Portanto, torna-se imprescíndivel a busca por soluções. A população deve se unir, reconhecer as injustiças cometidas no ambiente de trabalho e lutar por seus direitos por meio de greves, manifestações e reuniões sindicais. Tais acontecimentos devem começar nas grandes capitais e se espalhar por todo o país a fim de exigir melhoras trabalhistas. Logo, a máxima igualitária de Durkheim prevalecerá.