A importância da prevenção aos acidentes de trabalho no Brasil
Enviada em 03/06/2021
No filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, é retratado um cenário de trabalho exaustivo e transgressões às leis trabalhistas presentes nas legislaturas modernas. Fora da ficção, no Brasil, os acidentes em ambientes laborais representam um cenário análogo ao do filme, haja vista o expressivo número desses eventos que ferem a integridade física e direitos garantidos pela classe trabalhadora, de forma a acarretar mais crises setoriais e institucionais em uma das maiores economias do mundo. Logo, tal situação é inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.
Diante dessa realidade, conforme Jurgen Habermas, “Ação Comunicativa” consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, demandando ampla interatividade prévia. Nesse sentido, a presença exacerbada de mídias digitais e pouca socialização experimentada pelas gerações atuais provoca a carência de criticidade dos usuários desses veículos. Dessa forma, grande parcela da sociedade civil não usufrui de sua ação comunicativa da maneira ideal e os direitos do trabalhador são defendidos com pouca intensidade e argumentação. Por conseguinte, caso essa característica humana continuar sem incentivos de desenvolvimento nos indivíduos, a classe laboral tende a permanecer marginalizada e sem segurança.
Ademais, de acordo com Victor Hugo, romancista francês, quem poupa a vida do lobo, sacrifica a ovelha. Sob esse contexto, o escasso investimento governamental nas instituições trabalhistas, além da extinção dessas - como, por exemplo, a do Ministério do Trabalho - se configura como uma autorização ao agravamento dessa situação, expondo a relação atemporal de causa e consequência do autor de “Os Miseráveis”. Dessa maneira, observa-se que o Brasil tem poupado o lobo, equivalente aos abusos e consequentes acidentes em ambientes laborais, enquanto a população, representada pela ovelha na metáfora, carente de opções que visem sua qualidade de vida, tem trocado sua qualidade de vida e integridade física para financiar um Estado que não a defende.
Portanto, a indubitabilidade da necessidade de medidas efetivas na atenuação dos acidentes de trabalho no Brasil. Nessa ótica, é dever do MEC, em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação, inserir maiores pisos horários para disciplinas que promovam a socialização nas escolas, como, por exemplo, educação física, por meio da análise de pedagogos sobre quantas horas e quantas vezes na semana essa troca do ensino tradicional acadêmico pelo interativo deve acontecer, a fim de ofertar condições ideais para a “Ação Comunicativa” emergir nas novas gerações, tornando-as mais críticas. Somente assim, será possível fazer do Brasil um país onde a população luta contra os exagerados casos de acidentes no trabalho.