A importância da prevenção aos acidentes de trabalho no Brasil

Enviada em 05/06/2021

No século 19, no contexto social e econômico da Revolução Industrial, calcados no interesse árduo de lucrar, os empregadores não ofertavam nenhum meio preservacionista em relação à insalubridade e perigo nas fábricas. Isso ocorria porque eles não queriam ter gastos maiores e mais concretos, além de não objetivarem a diminuição do capital empresarial adquirido. Longe do século exposto, mostra-se, hoje, que o cenário é positivamente diferente. No entanto, ainda há o que evoluir, haja vista que o Brasil é um dos países que mais apresenta acidentes no âmbito trabalhista, mas que, infelizmente, há, ainda, certo negligenciamento e “vista grossa” estatal.

A priori, é fundamental conhecer a problemática que situa o Brasil no topo dos países mais perigosos para se trabalhar. Essa situação pode ser evidenciada pela pesquisa realizada pelo Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho (ODSST), ao afirmar que ocorre, em média, um acidente de trabalho a cada 48 segundos no país. Isso é causado, pois, nesse contexto, falta a disposição da Ergonomia, prática laboral da Administração Trabalhista, que permite a preservação e sanidade dos colaboradores, nos âmbitos de esforço mútuo. Assim, enquanto a situação não for perspassada, o território brasileiro continuará ocupando local preocupante na lista do infeliz levantamento e os números continuarão a subir, uma vez que a tendência é o agravamento da situação.

Ademais, essa posição pode ser ocasionada pelo tangenciamento governamental, que termina por naturalizar esse óbice, mesmo que haja a necessidade e importância de extingui-lo para a efetivação do bem social. Tal situação torna-se um impasse no que tange as precauções aos acidentes nas organizações, já que o Poder Público tem, segundo a Constituição Federal, o dever de atuar, de forma objetiva, a fim de trazer saúde e segurança para todos os cidadãos. Todavia, assim não é posto em prática, pois, as verbas não são aplicadas corretamente e a fiscalização nos ambientes organizacionais não é feita da maneira ideal, o que corrobora para que acidentes sejam marcantes nessas entidades. Logo, até o momento de superação dessa problemática, pessoas continuarão em risco nos empregos.

Portanto, evidenciados os fatos, cabe que medidas sejam tomadas para a prevenção aos acidentes de trabalho no Brasil. Urge que o Estado, como instância máxima da nação, elabore um Plano de Cuidados ao Trabalhador (PCT), com o objetivo de fiscalizar o máximo de empresas e organizações possível e fazer aprovações e restrições nos locais, de acordo com o que pode colocar o bem-estar dos trabalhadores em risco ou não. Tudo deve ser feito através da distribuição de verbas para profissionais qualificados, que sabem como agir em situações desse contexto, para que haja a erradicação dos riscos empregatícios. Feito isso, os dados da ODSST não serão mais propícios para a realidade brasileira.