A importância da prevenção aos acidentes de trabalho no Brasil

Enviada em 27/10/2021

O quadro expressionista “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela falta de valorização à prevenção aos acidentes de trabalho é amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e fatores socioculturais.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa o cenário de desvalorização de metódos preventivos no trabalho. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmut Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa óptica, devido a baixa atuação das autoridades, pouco é articulado para desenvolver e estimular os cuidados em ambiente de trabalho, assim, o governo não garante o direito à segurança, fato que evidencia a carência de ações assistencialistas tanto às empresas, quanto aos empregados. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Ademais, vale destacar o fator grupal. Conforme Jurgen Habermas, a razão comunicativa - ou seja, o diálogo - constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse mesmo plano, a falta de debate acerca da importância da prevenção de acidentes no trabalho, todavia, coíbe o poder da deliberação e, consequentemente, resulta em uma população que não está consciente da necessidade de tal prática, uma vez que é tomada pelo senso comum e pela postura passiva, na qual ela não reinvindica seus direitos e, muito menos, cumpre seus deveres. Nessa conjuntura, muitas são as vítimas de tal problemática, pois, de acordo com a Previdência Social, houve mais de 500 mil acidentes de trabalho, dado que explicíta a carência de discussões críticas sobre o problema para que o progresso habermeseano seja atingido, assim como a plena exerção da cidadania.

Entende-se, portanto, a chaga como sendo intrínseca de raízes administrativas e culturais. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos, deve debater o assunto com especialistas na área trabalhista, com o intuito de valorizar mecanismos preventivos em ambiente de trabalho e estimular o pensamento participativo na população, além de mostrar seus benefícios, que serão recebidos por muitos. Essa medida deve ocorrer por meio da criação de um projeto estatal, com o Ministério das Comunicações, ao ser incluído nas Diretrizes Orçamentárias. Desse modo, com a revigoração das instituições zumbis e o progresso da deliberação, o quadro expressionista não terá parte da realidade.