A importância da regularização e da fiscalização de transportes aquáticos
Enviada em 16/05/2025
Na obra “A ilha”, do escritor Aldous HUxley, é retratada uma civilização perfeita, livre de qualquer mazela humana e cujas bases sociais são bem estruturadas. Fora da ficção, ao fazer uma comparação com o Brasil atual, percebe-se que este está longe de se assemelhar ao modelo citado, uma vez que há uma desvalorização da importância da regularização e fiscalização de transportes aquáticos, característica destoante de uma nação ideal. Assim, é válido analisar como a negligência estatal e o descaso coletivo representam um empecilho para a resolução da problemática.
Nessa perspectiva, nota-se que a inoperância governamental é um dos principais fatores do revés apresentado. Ligado a isso, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, determinadas instituições, apesar de manterem a sua essência, perderam a sua função social, configurando-se como “zumbis”. Sob esse viés, ao não garantir a vistoria dos barcos clandestinos, o Estado demonstra ser inerte, sendo conivente com a perpetuação de acidentes provocados embarcações clandestinas. Portanto,para a refutação do estudioso polonês, é preciso que o poder público se envolva mais diretamente no assunto.
Paralelamente, é perceptível o papel agravante da apatia social na continuidade do impasse abordado. Assim exposto, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, os indivíduos, ao serem frequentemente expostos a situações extremas, perdem seu senso de urgência, tratando-as com normalidade, tese a qual ela denominou “banalidade do mal”. Sob essa ótica, as pessoas, por estarem acostumadas com a ilegalidade e falta de vistoria de embarcações, tendem a não desenvolver um sentimento alarmante ao trafégo em navios clandestinos, e os perigos que essa locomoção pode causar. Porquanto, para reverter o panorama urgente, impera que a população clame por mais rigidez estatal no controle dos trasnportadores.
Portanto, ficam nítidas as contribuições da inércia do governo e da omissão comunitária na manutenção da temática discutida. Por conseguinte, cabe ao Estado - como promotor do transporte seguro - , vistoriar e regularizar os meios de transporte aquático, e, em parceria com o MInistério do Transporte, oferecer navios estatais que substituirão os serviços dos barcos ilegais. Assim, será possível uma aproximação do Brasil com o modelo utópico de Aldous Huxley.