A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 03/11/2025

‘‘A gente se acostuma. Mas não devia’’. A frase de Marina Colasanti retrata a propensão da coletividade em normalizar injustiças sociais graves, como a subrepresentação das minorias na publicidade brasileira. Nesse ensejo, é essencial adotar ações para combater essa desigualdade, fruto da ineficiência estatal e do preconceito estrutural.

A princípio, é notória a inoperância institucional como propulsora desse cenário. Sob essa ótica, consoante Nicolau Maquiavel, no livro ‘‘O Príncipe’’, os governantes devem agir em prol do bem universal. Todavia, ao não promover uma legislação de valorização da diversidade no mercado publicitário, sob a justificativa de já existirem ações de inclusão das minorias na mídia, o poder público contribui para a marginalização da pauta identitária em âmbito nacional. Em face disso, torna-se inconcebível que a postura improdutiva do Estado comprometa o reconhecimento de diversos grupos civis, uma vez que tal omissão fortalece a invisibilidade e a intolerância contra as comunidades historicamente segregadas, como a negra, indígena e LGBTQIA+.

Ademais, a discriminação estrutural intensifica a continuidade desse impasse. Nessa lógica, a obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, revela uma sociedade moralmente cega, definida pelo egoísmo e pela apatia social. Essa alienação moral ecoa na indiferença do corpo civil acerca do deficit de uma representação legítima da pluralidade sociocultural do país, de modo a naturalizar, por exemplo, a falta de figuras representativas negras, com a predominância de traços negroides, nas produções audiovisuais. Diante disso, faz-se inadmissível a perpetuação dessa conjuntura discriminatória, visto que dificulta a identificação do público com a própria comunidade e favorece o apagamento de traços étnicos e identitários de uma população.

Dessarte, alternativas são fulcrais para reverter esse quadro. Logo, cabe ao Poder Legislativo, guardião das leis, garantir que as minorias sejam refletidas na publicidade, por meio de uma legislação regulatória, em que 50% dos protagonistas publicitários deverão fazer parte da classe minoritária, a fim de que haja identificação social. Assim, a subrepresentação deixará de ser normalizada.