A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 04/05/2021

“A tecnologia move o mundo”. A célebre frase do inventor e empresário americano, Steve Jobs, descreve a importância da evolução dos meio tecnológicos para uma sociedade. Tal fato é comprovado ao analisar o alto alcance das mídias e propagandas, além de sua capacidade de intervir no comportarmento social de uma população. Entretanto, observa-se, no Brasil, um baixo percentual de representatividade dos grupos minoritários nas campanhas publicitárias. Isso ocorre devido ao preconceito estrutural, fruto da desinformação e ignorância, além da ineficácia das políticas públicas atuais no incentivo à equidade.

Primeiramente, é válido destacar que o Brasil é um país historicamente preconceituoso, visto que foi um dos últimos a abolir a escravidão e a luta por direitos das mulheres perdurou muitos anos. Entretanto, segundo o filósofo francês, Voltaire, o preconceito é apenas uma opinião que ainda não foi submetida ao pensamento racional. Destarte, pode-se concluir que o desconhecimento sobre a igualdade de direitos raciais e de gênero favorece ideais discriminatórios, sendo de suma importância a participação popular de todos os grupos sociais nas publicidades para promover a quebra dos esteriótipos e padrões corpo normativos.

Outrossim, o Estado, notoriamente, não tem cumprido seu dever de promover o bem-estar social, pois as políticas e leis existentes não se mostram resolutivas nessa questão. Prova disso são os dados do Estudo TODXS, realizado pela Agência Heads, que revela que apenas 25% das protagonistas em peças publicitárias são negras e somente 47% dessas possuem traços negróides, propagando um padrão étnico esteriotipado. Diante disso, é evidente que a omissão governamental contribui para a perpetuação do problema, pois os incentivos legais para a representatividade das minorias e do combate ao preconceito são insuficientes ou até mesmo ausentes.

Infere-se, portanto, que a representatividade nas campanhas publicitárias é um fator que deve ser instigado. Logo, cabe ao Poder Legislativo desenvolver ações para tratar sobre o tema em questão. Isso deve ser feito por meio da elaboração de leis que viabilizem a criação de ações afirmativas para garantir que, no mínimo, 50% do elenco seja composto por grupos minoritários. Tal operação deve ter por finalidade incentivar e promover a visibilidade para a beleza da diversidade. Dessa forma, será possível garantir que, assim como afirmado por Steve Jobs, a tecnologia mova a nação para um mundo dotado de equidade e justiça.