A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 08/05/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal ausente de quaisquer formas de empecilhos sociais. Muito distante, o cenário brasileiro hodierno é antagônico ao de More, pois a falta de representatividade na publicidade ainda é latente, tendo em vista a omissão estatal e a arcaicidade das escolas como fatores potencializadores. Torna-se urgente, portanto, a criação de medidas as quais visem à mitigação desses fatores com o fito de haver um Brasil mais igualitário.

É de crucial importância, mormente, analisar a habituação da falha atuação do Estado. Dessa forma, a filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, desserta acerca da naturalização de várias problemáticas e suas consequentes banalizações. Nesse sentido, a naturalização da omissão estatal em relação a não garantia de projetos de inclusão, como cotas de gênero aos homossexuais nas propagandas midiáticas, relaciona-se com a ideia de Hannah. Essa realidade é grave justamente porque a carência dessa representatividade banaliza a manutenção dos tabus sobre os diversos gêneros sexuais e, com isso, torna o corpo civil inerte frente ao surgimento de medidas de inclusão. Assim, enquanto a atuação tímida do Estado persistir, a quebra dos tabus por causa do aumento de representatividade na publicidade continuará distante de ser algo real.

Outrossim, convém ressaltar o teórico papel das escolas de formar valores para a  inclusão dos jovens na sociedade. Dessa maneira, o pedagogo Paulo Freire, no livro “Pedagogia do Oprimido”, entendia que as escolas atuais são arcaicas, o que tornam os jovens despreparados para a vida. Corroborando essa visão, o cenário escolar hodierno, no qual predomina métodos voltados apenas ao ingresso na faculdade, secundariza metódos voltados à efetiva formação de valores cruciais à vivência em sociedade, como o respeito às minorias. Isso potencializa a participação ínfima dos negros, por exemplo, nas publicidades, visto que o preconceito segrega-os, o que gera desestímulo ao engajamento na esfera publicitária por não se encaixarem nos estereótipos não só para eles, mas também a outras minorias que sofrem dos preconceitos existentes.

Urge, por conseguinte, a atuação das escolas para criarem projetos socioeducativos, por intermédio de palestras e debates em horários de aula, os quais seriam mediados por profissionais especializados na área sociológica. Essa ação teria a finalidade de tornar o respeito cada vez mais presente na sociedade, o que iria quebrar, gradativamente, os preconceitos e, destarte, aumentar a representatividade necessária  para um Brasil mais igualitário.