A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 10/05/2021

No quadro “A negra”, Tarsila do Amaral com o objetivo de criar uma arte com fortes traços nacionalistas evidencia por meio da ilustração de uma figura cujo fenótipo busca representar a verdadeira identidade brasileira. Entretanto, na contemporaneidade a valorização da heterogeneidade nacional não é algo recorrente nas publicidades brasileiras. Nessa perspectiva, é premente analisar a importância da equidade nas campanhas como forma de reforçar a verdadeira composição nacional e, ainda, como meio de contrastar com a ideologia histórica de inferioridade negra e feminina.

Em primeira análise, é lícito postular a relevância da igualdade nas mídias para a representação mais fidedigna da composição social. Nesse sentido, durante o movimento literário do Modernismo o escritor Mário de Andrade escreveu “Macunaíma”, obra a qual tem a proposta de desconstruir a imagem do brasileiro do viés europeu e propor um personagem anti-herói munido de traços nacionais. Como consequência disso, o artista coloca em observação o verdadeiro povo brasileiro como forma de acabar com a imagem falsa criada pela visão do colonizador e mostrar a importância da visibilidade para o reconhecimento dos indivíduos. Analogamente, a equidade nas publicidades, assim como no livro de Mario e na obra de Tarsila, se mostra essencial para que a sociedade se sinta representada de maneira coerente.

Faz-se mister salientar, ainda, como a representação de forma igual é fator essencial para a desconstrução da herança histórica da supremacia branca e patriarcal. Segundo o filosofo Bourdieu, existe um poder e dominação que se disseminam de modo invisível na dimensão simbólica da vida, por meio dos discursos e da comunicação de modo geral. Isto é, o ideário da dominação branca e masculina se mostra presente por meio da intercomunicação social. Em virtude disso, a privação da igualdade na representação publicitária é uma forma de fortificar o poder simbólico de supremacias raciais e machistas. Dessa maneira, é possível notar como a colocação de pessoas de diferentes etnias e sexo nas campanhas midiáticas é instrumento valoroso para a superação de ideários históricos relapsos.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas aptas a promoverem a representatividade na publicidade. Logo, urge que o Ministério da Cidadania, por intermédio da maior parcela dos tributos, elabore campanhas audiovisuais para os veículos televisivos e mídias socias com a participação desses estereótipos excluídos, com o objetivo de incentivar o corpo social brasileiro a discutir o tema e, concomitantemente, promover a identificação dos cidadãos com a publicidade e sobrepujar a supremacia. Desse modo, será possível que os veículos midiáticos valorizem o fenótipo brasileiro assim como fez Tarsila.