A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 08/05/2021

Em sua célebre obra Utopia, Thomas More fala de um lugar ideal, onde não há sofrimento ou qualquer problema social. Contudo, na contemporaneidade  brasílica, essa realidade relatada pelo antigo pensador está longe de ser alcançada, tendo em vista que a representatividade na públicidade ainda é deficiente. Dito isso, deve-se destacar a questão governamental e cultural para solucionar o impasse.

Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que, de acordo com a Constituição de 1988, em seu artigo 5°, todos são iguais perante a lei. Entretanto, o que se nota é a inoperância dessa norma, haja vista que nas campanhas publicitárias, as minorias, como gordos e deficientes, ainda não ganharam a visibilidade que é de seu direito. Isso pode ser comprovado pela persistencia de estereótipos nas grandes mídias, como do corpo magro em detrimento do gordo. Desse modo, é imperioso que os governantes criem medidas, como leis, que favoreçam a representatividade na publicidade.

Além disso, é importante dizer que a questão cultural contribui para a falta de representação nas mídias. Isso porque, consonante ao pensamento do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro Raízes do Brasil, o homem vive de acordo com uma cultura local ao longo das gerações. Nesse sentido, resquícios advindos do período de escravidão no Brasil, como o racismo, ainda perpetuam nos dias atuais. Esse fato é constatado pela pouca representatividade que esse grupo tem na publicidade, como mostra dados da revista Biotipos, a qual afirma que apenas 25% das mulheres negras são protagonistas na TV. Não é de se estranhar, portanto, que apesar do fim da escravatura a igualdade entre os indivíduos não foi alcançada.

Por fim, são necessárias medidas enérgicas para resolver o problema. Assim, o Poder Legislativo, para fazer valer o artigo 5° da Carta Magna, deve criar leis de cotas para as minorias nas campanhas publicitárias, estabelecendo número mínimos de negros, deficiêntes em propagandas, por exemplo. Para isso ocorrer os senadores e deputados devem unir-se em prol dessa medida. Ademais, a mídia, com seu alto cárater persuasivo, deve alertar a população sobre os problemas causados pelos estereótipos e pelos hábitos culturais racista,como a desqualificação do sujeito, por meio de seus diversos canais, como rádio e televisão. Com fito de acabar com preconceitos e que as minorias ganhem mais visibilidade na mídia e possam ser aumentado seu protagonismo nos veículos comunicativos. Só assim, o lugar ideal, como aquele dito pelo filósofo londrino Thomas More, será alcançado pela nação canarinha.