A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 09/05/2021
A sociedade precisa ter a sua pluralidade expressa na publicidade. Visto que, em uma democracia os espaços precisam representar todas as preferências dos cidadãos e não somente de um grupo. Apesar da Constituição Federal (CF) no seu artifo 215-A garantir o pluralismo político, cultural e social, a concretização desses direitos esbarra nos obstáculos da desigualdade social, fruto de um processo histórico excludente. Ademais, as empresas televisivas corroboram com a manuntenção da desigualdade. Dessa forma, é necessário que o Estado e as instituições privadas da publicidade trabalhem para abrir espaço para que todos os cidadãos reconhecam-se nas propagandas publicitárias.
Primeiramente, cabe ressaltar que o sistema escravista deixou marcas profundas na sociedade, como o racismo e o patriarcalismo. Tais cicatrizes estão presentes na publicidade, visto que essa reflete as questões sociais presentes. Tanto que os negros são representados em situações subalternas aos brancos, por exemplo nas novelas em que são os empregados dométicos. Nesse diapasão, o documentário “13° Emenda”, afirma que as empresas de marketing contribuíram para a construção no imaginário coletivo desses homens como seres violentos, pois no cinema abusaram da imagem deles violentando mulheres brancas, assim como os programas sensacionalistas que focam nos crimes cometidos por grupos de afrodescendetes. Com isso, os grupos sociais tendem a associar a todo homem negro a violência, conforme visto na série “Um maluco no pedaço” em que os personagens, que são negros, são presos por circular dentro de um bairro de ricos e brancos. Esses se questionam se agiriam diferente se fossem os policiais, o episódio termina justamente com essa indagação.
Desse modo percebe-se que além de representar as questões sociais, a publicidade vem promovendo a perpetuação dos esteriótipos, visto que ela influencia a construção da subjetividade tanto individual quanto coletiva. Portanto, é necessário que as empresas publicitárias fujam dessas projeções e trabalhem para a construção de uma sociedade que garanta respeito e oportunidades para as diferenças culturais, sociais e políticas, conforme apregoado pela Constituição Federal.
Diante do acima exposto, a fim de erradicar a perpetuação desse discurso de diminuição e opressão dos negros na publicidade, há a necessidade de parceria entre o Ministério da Cultural e o Legislativo. Esses devem, por meio de lei, proibir que somente negros estejam representados como serventes do brancos, assim como determinar uma cota para a presença de protagonistas negros nas novelas, filmes e propagandas. Para que esses cidadãos reconhecam-se em outras posições, incentivando sua autoestima e quebrando os esteriótipos. Assim, haverá o incentivo à representatividade, logo, o respeito para as diversas culturas, comforme apregoado pela CF.