A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 10/05/2021
O livro “Utopia”, escrito pelo inglês Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, na qual existe a padronização da ausência de conflitos e problemas. No entanto, o observado na realidade contemporânea é o oposto do visto na obra, pois a importância da representatividade, é por muitas vezes, ignorada no panorama publicitário, dificultando os planos de More. Nesse sentido, tanto a existência de estereótipos, quanto a ineficácia governamental, contribuem para esse cenário antagônico.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a presença de estereótipos bem delimitados como impulsionador desse problema. Segundo Simone de Beauvoir, filósofa francesa, “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Tal afirmativa, pode facilmente ser aplicada nesse quadro, uma vez que o estereótipo é visto como algo normal pela sociedade, quando na verdade, se trata de uma enfermidade que divide as pessoas, injustamente, em grupos com base em suas características físicas e étnicas. Sob tal ótica, no âmbito da publicidade, o protagonismo branco é evidente, fazendo com que a representatividade seja minimizada com base nesses padrões.
Ademais, é fundamental apontar que o governo, como agente de interesses públicos, não cumpre com seu papel que é de incluir todos os indivíduos em todas as atividades sociais. De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “As cidadanias mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social. Por analogia, quando o Estado não procura incluir todos os grupos em todas as dinâmicas coletivas, em especial no ambiente publicitário, o democratismo não é efetivado, tendo como culpado maior, o Estado. Sendo assim, a falta de leis e campanhas que abordem o tema da importância da diversidade nas mídias, financiadas e incentivadas pelo Ministéria da educaçaõ e da cultura, são fatores determinantes para a perduração dessa problemática no Brasil.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é de suma importância que o Estado, por intermédio da internet e da mídia, financie campanhas incentivando as marcas a desmantelar padrões básicos, através do aumento da diversidade de pessoas, com diferentes características físicas, a fim de adquirir uma maior representatividade na publicidade, e com isso no dia a dia. Assim, será possível a consolidação de uma sociedade melhor, ideal, de acordo com o abordado na obra literária de Thomas More.