A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 10/05/2021

De acordo com a antropóloga brasileira Lilia Moritz, um país sem acesso às várias formas de cultura é um país fadado ao conservadorismo. Sendo assim, o Brasil está condenado a essa realidade a menos que comece a valorizar a representatividade na publicidade que, infelizmente, ainda é muito pequena. Logo, é essencial destacar a importância da inclusão nas propagandas para combater a naturalização da exclusão que fortalece estereótipos no país.

Em primeiro plano, é fundamental entender que no Brasil a exclusão social na televisão, revistas, entre outros meios de comunicação, já é tão corriqueira que foi normalizada por muitos. A exemplo disso, tem-se a campanha do Boticário com uma família preta que atraiu diversas críticas e comentários racistas em 2018. Ou seja, como - em geral - as campanhas costumam representar apenas pessoas brancas, quando esse padrão é quebrado gera choque na população, o que não aconteceria em uma realidade ideal na qual todos os grupos sociais aparecem com frequência. Nesse contexto, uma pesquisa da empresa Kantar diz que 70% das pessoas não se sentem representadas nos comerciais, o que é muito prejudicial por pressioná-las a seguir os padrões mostrados em detrimento de quem são.

Por consequência, o padrão de beleza e de comportamento é fortalecido junto aos esteriótipos de quem se opôe a ele. Nesse contexto, a pesquisa Mulheres (In)visíveis em parceria com o Grupo ABC prova que mesmo que mais de 50% da população brasileira seja preta ou parda, só 26% dos presentes em comerciais são assim. Além disso, quando representados costumam estar ligadas a esterótipos, como na novela “Avenida Brasil” em que uma das poucas mulheres pretas da trama é mostrada como pobre e empregada dos brancos ricos. Ademais, a mesma pesquisa mostrou que 78% das mulheres na publicidade são magras, enquanto na realidade 48% das brasileiras estão acima do peso. Dessa forma, fica nítido que as mídias só mostram pessoas dentro de um padrão que a maior parcela do povo brasileiro não se encaixa.

Mediante o exposto, urge a tomada de medidas para aumentar a essencial representatividade na publicidade brasileira. Portanto, o Governo Federal deve incentivar as empresas de marketing a serem mais inclusivas por meio da isenção de impostos para aquelas que tenham significativa inclusão de diferentes grupos da sociedade alem de financiar campanhas que comemorem as diferenças e mostrem belezas fora do padrão. Desta maneira, será possível dar o acesso a diversidade para todos os brasileiros assim como aconselhado por Lilia.