A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 11/05/2021
A filósofa Djamila Ribeiro, autora do livro " Pequeno manual antirracista", demonstra na obra que no contexto de racismo estrutural não basta não ser racista, é preciso adotar posturas contrárias a esse comportamento segregador. Apesar dessa crescente consciência de luta antirracista, é notório que importantes pilares da sociedade ainda são omissos na promoção da igualdade, seja de raça ou de gênero, a exemplo da diminuta representatividade de grupos minoritários na publicidade brasileira. Dessa forma, considerando a relevância da pluralidade nas propagandas comerciais, cabe às agências publicitárias o engajamento político para reverter esse quadro.
Diante desse cenário, em primeiro lugar, é preciso analisar o papel da representatividade na formação do indivíduo e na construção de sua autoestima. Conforme salienta o filósofo italiano Noberto Bobbio, a representatividade é a expressão dos interesses de um grupo na figura de um representante. Nesse sentido, sentir-se representado- especialmente em peças publicitárias- contribui para a formação da subjetividade dos indivíduos de minorias sociais, como as mulheres e os negros, que frequentemente e historicamente são sub-representados nos espaços de poder. Diante disso, é imperiosa a função da representatividade publicitária para o reconhecimento e para a afirmação dos grupos identitários.
Contudo, a composição das propagandas comerciais atuais ainda é, majoritariamente, homogênea, com o protagonismo de pessoas com o fenótipo caucasiano, ainda que, de acordo com o IBGE, os negros sejam 56,1% da totalidade de brasileiros. Esse panorama, além de revelar uma das camadas da desigual representatividade publicitária, reforça parâmetros preconceituosos, uma vez que persiste em deixar à margem da sociedade a imagem de família negras, por exemplo. Ademais, tal comportamento é inconstitucional, pois vai de encontro ao Estado Democrático de Direito, que tem como um de seus fundamentos o pluralismo político e, portanto, tutela todas as representações da diversidade social.
Registra-se, então, a urgência de que a população brasileira tenha sua pluralidade não apenas reconhecida, mas enaltecida por meio da publicidade, a fim de que esta seja um recorte verossímel da realidade e atue como fonte de inspiração. Assim, as empresas do ramo publicitário devem adotar ações afirmativas- como a adoção de práticas antirracistas- por meio do protagonismo de grupos minoritários na televisão, a fim de garantir a presença da heterogeneidade social em suas peças. Dessa maneira, será possível realizar o que preconiza a Constituição da República em relação à diversidade e à proteção às minorias.