A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 20/05/2021
O filme “A Princesa e o Sapo” tem como protagonista da história Tiana, uma moça negra dos cabelos cacheados que teve grande importância por ter sido uma das primeiras personagens com traços negróides animado pela Walt Disney. Fora da ficção, a realidade é muito distinta, visto que a representatividade na publicidade ainda é um problema pertinente na sociedade vigente. Dessa forma, é preciso analisar como o legado histórico e os estereótipos de beleza corroboram para a temática em questão.
À priori, é lícito postular o legado histórico como agente causador do revés supracitado. Sob essa lógica, segundo Francis Bacon, filósofo inglês, o comportamento humano é contagioso, tornando-se enraizado à medida que se reproduz. Dessa maneira, nos séculos passados a participação da população diversificada, como negros, indígenas e mestiços, na sociedade era mínima e restrita, o que reflete na falta de representatividade desses povos na mídia atual, uma vez que os padrões de beleza dominaram e restringiram cada vez mais as mídias digitais.
Outrossim, é válido destacar que a problemática é fruto dos parâmetros de beleza. À luz dessa perspectiva, a autora Naomi Wolf em seu livro “O Mito da Beleza”, discorre sobre as competições entre homens e mulheres para alcançar as ditas mais belas. De maneira análoga a escritora, é perceptível que existe essa competição no corpo social vigente, uma vez que a representatividade no meio publicitário tem se tornado cada vez mais escassa, por conta da busca incansável por pessoas “perfeitas” e dentro dos padrões sociais de boniteza. Dessa forma, há uma menor participação de determinados grupos da sociedade por conta das suas características particulares não encaixadas no preceito necessário para as mídias.
Portanto, é imprescindível o debate acerca da importância da representatividade na publicidade. Dessa forma, é preciso que o governo através do Ministério da Educação, em parceria com as escolas e mídias digitais, realize palestras, com diversos grupos étnicos, por meio de redes sociais sobre a importância da temática em questão e a desmistificação do padrão ideal de beleza. Somente dessa maneira, será possível mitigar o impasse e formar cidadãos mais conscientes.