A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 11/05/2021
Produzida pela TV Globo em 2017, Malhação: Viva a diferença, recebeu o prêmio de melhor série no Emmy Internacional Kids 2019. Seu grande sucesso se deu por representar fielmente a vida e as dificuldades de adolescentes fenotipicamente distintos, dentro de uma mesma comunidade. No entanto, representações como esta na mídia são raras, em decorrência de produtores dentro de uma mesma hegemonia, que geram uma indústria de comunicação qual não traduz o seu público.
É importante ressaltar, primeiramente, que a fiel representatividade dos mais diversos grupos nas mídias é escassa e tem a necessidade de começa apor trás do produto final. Uma pesquisa divulgada pela Agência Nacional de Cinema (ANCINE) em 2016, concluiu que 75,4% dos diretores de filmes e novelas no Brasil são homens brancos, e assim, fica evidente o protagonismo destes no topo da indústria de comunicação. Inquestionavelmente, o ponto de vista nas produções destes, acaba não abrangendo fielmente as vivencias do público brasileiro, que contém mulheres, negros e pobres em grande porcentagem. Atrelada a esta perspectiva, a marca Dove divulgou em 2019, uma pesquisa global informando que 70% das mulheres não se sentem representadas na mídia e na publicidade.
O grande problema oriundo dessa diferença de representações e esteriótipos, é que, seguindo a ideia expressa pelo autor George Orwell em sua obra 1984, de que “A mídia controla a massa”, entendemos que o produto final apresentado, seja ele uma propaganda ou uma novela, molda aos poucos pequenos gestos da sociedade como um todo. Sendo assim, quando são apresentadas histórias de mulheres reais, por exemplo, e há uma identificação por parte do público feminino, isso reflete em mudanças comportamentais a partir de exemplos a serem seguidos. Logo, se bem representadas, algumas minorias que antes eram oprimidas, podem se enxergar de maneira diferente.
Observe-se, portanto, que a representatividade na publicidade reflete em mudanças sociais e comportamentais. Assim, propostas são necessárias a fim de ampliar a comunicação do publico com as mídias, para que isso ocorra o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) em co-participação com a ANCINE, deve promover eventos e festivais que exponham obras roteirizadas por diretores variados, não só homens. Com o intuito assim, da valorização destes e maior visibilidade dos produtos que conseguem se conectar de forma mais relevante com o público brasileiro, expondo suas características e pontos de vistas de forma mais real.