A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 20/05/2021

Edgar Morin, filósofo e sociólogo francês, reflete em seus pensamentos sobre a ideia de que a unidade humana se manifesta pela diferença, ou seja, é possível que a diversidade coexista com a união entre as pessoas. Porém, tal diversificação não é observada na publicidade, que reforça os padrões socialmente estabelecidos. As propagandas apresentam uma escassez de representatividade de grupos distintos, logo, não é possível estabeler a união proposta por Morin. Dessa maneira, dar visibilidade às comunidades diversas, como a LGBTQIA+ e as mulheres negras, é importante pois faz com que esses grupos se sintam parte da sociedade e reconheçam sua importância no corpo social, além de romper preconceitos e comportamentos aversivos.

Em primeiro lugar, vale destacar que a representatividade nas publicidades contribui para que os sujeitos representados sintam-se incluidos e entendam integralmente seu valor na sociedade. Ademais, a série americana Falcão e o Soldado Invernal reforça a importância da diversidade étnica em todas as esferas sociais ao mostrar o caminho percorrido por um homem negro, o Falcão, até se tornar o símbolo americano, ou seja, o Capitão América. Dessa forma, é evidente que ter diversidade em diferentes cenários, principalmente o publicitário, favorece uma inserção mais efetiva dos povos na coletividade, assim como a presença do Falcão nas atividades estadunidenses representa o apoio a comunidades distintas.

Outrossim, a representação das diferenças étnicas, de gêneros e de corpos nas propagandas colabora para a diminuição de preconceitos, uma vez que as pessoas passam a ter um pensamento mais inclusivo, além de romper paradigmas sociais. A filósofa brasileira Djamila Ribeiro discorre constantemente sobre a importância de reafirmar o papel das mulheres negras na sociedade. Porém, esse pensamento também pode ser aplicado no contexto publitário, ou seja, com a diversidade nas propagandas pode-se confirmar a importante posição ocupada por cada grupo.

Portanto, a representatividade na publicidade favorece a inserção dos indivíduos e a redução de atitudes intolerantes, como homofobia e racismo. Logo, faz-se necessário que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, em parceria com a sociedade, crie medidas que levem o mercado publicitário a efetivar a diversidade nas propagandas, por meio da implementação desse objetivo ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Para que assim as pessoas que constituem grupos menos valorizados possam ser tratadas de maneira mais igualitária e empática.