A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 14/05/2021

A pluralidade, para a filósofa política Hannah Arendt, é condição inerente ao homem. Ou seja, ninguém é igual a nenhum ser que existiu, que exista ou que venha a existir. Tal ideia, tão fundamental para a consquista de igualdade por todos na esfera pública, segundo Arendt, enfraquece-se a partir da falta de representatividade de quaisquer grupos minoritários na publicidade. Consequentemente, isso pode acarretar o aumento de distúbios psicológicos relacionados à busca por padrões de beleza impostos nos meios publicitários, como também pode contribuir para a ocorrência de práticas preconceituosas e segrecionistas na sociedade.

A princípio, menciona-se a obra “Sociedade do Espetáculo” do filósofo Guy Debord. Nesse texto,  Debord desenvolve a tese de que os indivíduos são dominados por imagens na indústria cultural, de maneira a tentar reproduzi-las e, como consequência, a confundir a ficção com a realidade. Analogamente a isso, as mulheres e os homens, ao não se sentirem representados fenotipicamente pelas campanhas publicitárias, buscam alcançar o modelo de beleza exibido em tal campanha, ignorando totalmente os limites de seus organismos e de suas mentes. Logo, há, em seguida, a ocorrência de diversas doenças psicológicas como anorexia, vigorexia e até mesmo a depressão, diante da frustração de não alcançar o estereótipo utilizado nas publicidades.

Ademais, apenas 25% das protagonistas em programas televisivos, de acordo com o site B9, são negras. Essa falta de representatividade do grupo racial citado na mídia e, mais especificamente, na publicidade, potencializa o pensamento eurocêntrico, vigente na sociedade a partir do período das Grandes Navegações. Essa ideologia eurocêntrica, pautada, de maneira errônea, na teoria de Charles Darwin, supervaloriza o povo branco e europeu, em detrimento dos demais povos, fator que colabora para ações preconceituosas e discriminatórias. Isso porque a ausência de diferentes tipos de pessoas no espaço comuns, retomando a ideia arendtiana, mitiga o sentimento de alteridade na sociedade. Em outras palavras, não há o reconhecimento e a compreensão daquele que é díspar.

Portanto,  representar a pluralidade humana na publicidade sugere mitigar problemas não somente individuais, mas também sociais, à vsta dos argumentos mencionados. Nessa perspectiva, o Ministério da Comunicação, em conjunto com os meios midiáticos, como a televisão, os quais propagam anúncios publicitários, deve instituir cotas para inserir grupos minoritários em programas televisivos, em propagandas, em comerciais e entre outros, a fim de romper com estereótipos e padrões de beleza vigentes na sociedade. Desse modo, apesar de os seres nascerem dessesemelhantes uns dos outros, conforme Arendt, todos conquistam os mesmos direitos e espaços na esfera comum.