A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 05/07/2021

Na série “The Bold Type”, uma das protagonistas - Sutton - organiza um ensaio fotográfico para uma marca de jóias utilizando seus amigos como modelos, a fim de apresentar aos consumidores corpos comuns e diversos. Atitudes como essa encontram-se em escassez na realidade da publicidade brasileira, em que se percebe a perpetuação de esteriótipos de beleza. Nesse sentido, é essencial a discussão a respeito da representatividade da diversidade dos meios publicitário, uma vez que, além de ser uma questão muito relevante para a formação da identidade, sua carência pode ser traduzida como injustiça social.

Primeiramente, é inegável a importância do papel desempenhado pelas propagandas no desenvolvimento do indivíduo. Segundo o psicólogo Erik Erikson, a identidade, cuja construção é um processo constante, está sujeita a fatores individuais e coletivos. Partindo desse princípio, é possível que um indivíduo recorra ao outro em busca de si mesmo. É justamente nesse momento que a publicidade se faz tão importante: a autoidentificação com figuras publicas contribui para que o sujeito perceba os espaços e funções aos quais pode pertencer. Dessa forma, representar a pluralidade ajuda na formação de pessoas mais conscientes de seus potenciais.

Analisando o caso por outra perspectiva, pode-se facilmente entender como injutiça a homogeneidade comumente retratada em anúncios. Ainda que a Declaração dos Direitos Humanos determine que todos os seres humanos devem ser iguais perante a leis, sem quiasquer distinções, o mercado brasileiro continua vendendo uma realidade que não representa a diversidade que compõe a nação. Por exemplo, mais de 50% do povo brasileiro se autodeclara negro, porém, estes representam apenas um quarto dos protagonistas de comerciais. O dado demonstra uma situação decerto desarmônica no marketing do Brasil.

Em suma, vê-se urgente a tomada de medidas que acelerem a disseminação de propagandas mais representativas nos meios de comunicação. Sendo assim, cabe ao Ministério das Comunicações e ao Governo Federal, através da promulgação do plano Todos Pela Diversidade (TPD), a atribuição à grandes empresas - privadas ou não - da criação bimensal de campanhas publicitárias simbólicas representando, preferencialmente, grupos minoritários ou alvos de preconceito, de modo a incentivar não só aumento direto da inclusão de corpos que reproduzam a pluralidade do país, mas também pequenas ações como a de Sutton que, em pequena ou larga escala, fazem uma enorme diferença aos consumidores.