A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 24/05/2021

A novela “A cor do pecado”, do ano de 2004, tem como eixo-central um romance inter-racial protagonizado pela atriz Taís Araújo, que com esse papel se tornou a primeira mulher negra a interpretar um personagem com tamanha relevância. Assim, destaca-se o tardio aparecimento, na televisão brasileira, de um protagonista que representasse uma parcela diferente da população. De modo semelhante, a publicidade do país também não se faz representativa. Logo, nota-se a importância da mudança desse cenário, o qual compactua com a conservação de estereótipos e que não reflete a realidade do povo brasileiro.

Dessa maneira, o modo o qual a publicidade brasileira acontece contribui para a perpetuação de diversos estereótipos. Assim sendo, um exemplo disso é a campanha divulgada, no ano de 2017, pela marca “Dove”, que foi acusada de racismo após a divulgação de uma propaganda a qual insinuava que para um corpo ser limpo, ele tem que ser branco. Portanto, percebe-se que ainda há um caminho longo que antecede o objetivo de se ter divulgações que apresentam a diversidade sem ofender determinados grupos sociais.

Ademais, ações similares a supracitada atuam como dificultadores nas lutas contra preconceitos, já que esses anúncios influenciam diretamente na vida das pessoas. Além disso, um padrão visual de modelos foi criado ao longo dos anos e é bastante perceptível quando se observa a publicidade brasileira. Diante disso, segundo dados fornecidos pela pesquisa “Todxs” a porcentagem do protagonismo branco em propagandas é de aproximadamente 80%. Então, nota-se que os negros, indígenas e outras etnias, mesmo definindo grande parcela do povo, não são representados nos meios de divulgações.

Assim, há uma justificável contestação desses grupos que se sentem excluídos nesse quesito, já que são raramente representados. Infere-se, portanto, a necessidade de uma mudança no âmbito da publicidade, para que tenha uma maior inclusão da diversidade brasileira. Dessa maneira, cabe às pessoas analisarem as marcas que consomem, por meio de pesquisas sobre o histórico de propagandas, a fim de certificarem que elas compactuam com a representatividade. Como também cumpre à mídia abrir mão do preconceito e dar lugar a modelos de etnias diferentes, com intuito de se ter uma maior abrangência dos povos do Brasil nas propagandas. Feito isso, os comerciais poderão ser mais condizentes com a realidade do país.