A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 15/05/2021

No livro ‘‘O sol é para todos’’, história ambientada no Sul dos Estados Unidos da década de 1930, região envenenada pela violência do preconceito racial, vemos um mundo de ferozes desigualdades através dos olhos de uma família, que luta para representar a inocência de um homem negro acusado injustamente de cometer um crime. Em consonância com a realidade vivenciada pelos personagens do livro, está a de muitos cidadãos, visto que, a importância de representatividade na mídia e política da população em minoria social, - pessoas negras, ou pessoas de gêneros e opções sexuais diferentes-é legítima, porém, essa busca por representação ainda é negligenciada por parte da publicidade, isso ocorre, seja pela discriminação racial, seja pela estereotipada cultura da mídia criada pela sociedade.

Nessa perspectiva, é válido retomar o aspecto supracitado sobre discriminação racial, ainda existente na televisão brasileira. Segundo os dados do Guia Negro, um site aclamado, que faz conteúdo sobre a cultura negra, nos últimos 70 anos da televisão brasileira é possível ver vários momentos em que houve a falta da representatividade dessa parte da população, um exemplo disso foi na novela ’’ A Cabana do Pai Tomás ‘’, que foi ao ar no canal Globo, em que o primeiro protagonista negro, era interpretado por um ator branco. Atualmente, essa segregação racial ainda que encoberta, contribui para desigualdade estrutural, fazendo-se necessário o uso da publicidade para ser propagada uma alternativa histórica.

Paralelamente ao problema sobre a discriminação racial, também é fundamental o debate sobre os esteriótipos sexuais preconceituosos vistos na mídia. Esse preconceito se dá pelos errôneos clichês estereotipados, criados por uma sociedade patriarcal, machista e homofóbica, de que as pessoas com orientação sexual distintas do padrão, não devem ser representadas no corpo social. O grupo de pessoas homossexuais em sua maioria sofrem com a falta de representatividade publicitaria, visto que o primeiro beijo homossexual, da história da televisão brasileira só foi ocorrer em 2014, na novela ‘‘Amor À Vida ‘’. Nesse viés, é correto dizer ser necessário o uso da publicidade para haver a concretização dessa antiga luta por reconhecimento.

Portanto, o Ministério da Educação, coligado ao Ministério da cultura devem por intermédio dos recursos liberados pelo Tribunal de Contas da União, difundir através da mídia, peças teatrais, por meio de aplicativos ou mesmo criando espaços públicos voltados para a história de cada grupo, a evidente necessidade da representatividade dos grupos minoritários. Assim como dito pelo pensador inglês Doug Floyd, ’’ Não se alcança uma harmonia quando todos tocam uma mesma nota ‘’, ou seja, deve ser ensinado a apreciação pela diferença, seja ela étnica ou sexual, no corpo social.