A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 16/05/2021
Na minissérie “Falcão e o Soldado Invernal”, o herói negro Sam Wilson pondera sobre a decisão de seguir o legado do Capitão América, símbolo do nacionalismo branco norte-americano. Ao longo da trama, o personagem assume o escudo e o manto do herói, em sua nova versão. De maneira díspar a história fictícia, as propagandas exibidas na TV ainda reforçam estereótipos e continuam a não representar a real diversidade de raças e gêneros presentes na sociedade brasileira. Dessa forma, é lícito afirmar que a dificuldade de romper padrões e a neutralidade das agências de publicidade contribuem para a reprodução desse cenário negativo.
Em primeiro plano, é imprescindível salientar o sólido padrão de beleza enraizado na sociedade. Segundo dados da 9° pesquisa Todxs, desenvolvida pela ONU Mulheres e pela Heads Propaganda, as mulheres que mais aparecem nas peças de campanhas de moda são brancas, jovens, magras, com curvas, cabelos lisos e castanhos. Desse modo, considerando a publicidade uma área que recorre aos corpos para divulgar seus produtos e serviços, ela é apontada como uma das principais responsáveis pela espetacularização do corpo que acontece na sociedade moderna, em razão disso, muitas mulheres não se sentem representadas pois não fazem parte do estereotipo que é retratado nessas campanhas. Outrossim, o ambiente neutro nas agências de publicidade corrobora com o seguimento dessa problemática. Nesse âmbito, o sociólogo Karl Marx disserta sobre os meios de comunicação de massa como instrumentos utilizados para propagar o que a classe dominante considera aceitável. Nesse contexto, algumas marcas ainda demonstram insegurança em lidar com alguns assuntos ou de não saber como tratá-los, isso porque, abordar assuntos como diversidade exige muita profundidade e cautela. Sendo assim, destaca-se a importância dessas empresas serem bem assessoradas, a fim de evitar cenários que fujam da neutralidade.
Depreende-se, portanto, a relevância da representatividade na publicidade no Brasil. Para que isso ocorra, o Poder Legislativo, responsável por, basicamente, legislar e fiscalizar os atos do Executivo, deve tornar obrigatório a representação da diversidade populacional do país nos canais publicitários, através da criação de uma lei que imponha que as campanhas comerciais das grandes empresas que são veiculadas televisivamente, inclua a participação de diversos perfis. Assim, tornar-se-á possível a construção dos meios publicitários permeada pela multiplicidade de raças e gêneros.