A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 18/05/2021

Para Rupi Kaur, “a representatividade é vital”. A poetiza ilustra sua tese fazendo alusão à uma borboleta que tenta ser mariposa por estar rodeada delas. Essa premissa pode ser corroborada na atualidade com a presença de um padrão estético reforçado pela mídia. Com isso, surge a importância da representatividade na publicidade, que torna-se essencial na sociedade brasileira não só para gerar sentimento de igualdade entre as pessoas, mas também como combate à intolerância.

A priori, cabe destacar a importância da inclusão das diversidades em veículos de publicidade como forma de proporcionar a sensação de igualdade entre as pessoas. Para a autora Djamila Ribeiro, “o falar não se restringe ao ato de emitir palavras, mas de poder existir”. A partir disso, é possível perceber o quanto é crucial que haja representatividade para que as pessoas se sintam importantes no meio em que estão inseridas. Portanto, existe a necessidade de discutir o assunto não somente em palavras, mas em demonstrações reais de inclusão dessas pessoas na mídia.

Ademais, constata-se que a exposição dos diferentes tipos de pessoas no meio publicitário serve como forma de combater a intolerância existente contra as diversidades. A exemplo disso, é possível citar uma propaganda da Boticário transmitida no Dia dos Pais em 2018, que representava uma família negra comemorando a data. A propagranda gerou grande desconforto em alguns internautas, que acabaram proferindo comentários racistas nas redes sociais sobre a publicidade. Esse tipo de mobilização só ocorre porque ainda não existe integração de todos os grupos sociais por parte das grandes mídias. Assim, por conta dessa lacuna de representação, a intolerância e o preconceito contra as diferenças continuam cresçendo sem solução.

É necessário, portanto, que ações sejam desenvolvidas para a promoção da inclusão na publicidade brasileira. Logo, instituições responsáveis por veicular propagandas, como emissoras de TV aberta, devem se mobilizar a somente aceitar publicidades inclusivas. Devem também incluir minorias em seus times de funcionários, por meio da contratação por cotas dessa parcela marginalizada, contribuindo para a criação de conteúdos diversos que alcance todo o público, a fim de destacar a normalidade e a singularidade de cada ser humano em seu contexto.