A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 15/05/2021
De acordo com a Hannah Arendt, a diversidade é inerente à condição humana, de modo que a sociedade deve estar habituada a conviver com o diferente. No entanto, é notório que, no Brasil, há uma escassez no que tange o diferente sendo representado. Dessa forma, é necessário evidenciar a importância da representatividade na publicidade, tanto no plano da saúde mental, quanto no plano social.
A priori, é nítido que a falta de representatividade afeta diretamente a saúde mental dos indivíduos socialmente marginalizados. Conforme dados do Ministério da Saúde, jovens negros têm maior chance de cometer suicídio. Nesse contexto, é válido compreender que tal acontecimento é fruto do descaso que esses indivíduos enfrentam durante a vida, que reverbera na escassez de empregos, pouca escolaridade, na violência multifacetada e na falta de representatividade em diversos âmbitos. Tal carência é abordada pelo Psicólogo Diogo Salviano como causadora de sofrimento psiquíco, visto que são interpretadas pela maioria dos dos indivíduos como normais e imutáveis. Assim, fica evidente a necessidade de uma reversão desse cenário.
A posteriori, é necessário compreender a importância da representatividade no plano social. De acordo com pesquisas realizadas pelo núcleo de Publicidade e Propaganda da PUC-SP, pessoas com algum tipo de deficiência, lgbt ou negras possuem uma participação ínfima nas propagandas televisivas, correspondendo a menos de 30%. Por conseguinte, temos essa parcela da população sendo excluída da Mídia e suas subjetividades passando por um processo inverso do que deveria ocorrer, que seria a ascensão e aceitação do grupo ao qual pertecem. Logo, torna-se insustentável um olhar que não seja inclusivo e participativo desses cidadãos na sociedade brasileira.
Destarte, é perceptível que a representatividade na publicidade brasileira apresenta lacunas profundas e que a importância de sua ampliação está intimamente ligada ao âmbito da saúde mental e o âmbito social dos envolvidos. Portanto, é necessário que a Mídia, em parceria com o Governo, criem projetos inclusivos, difundidos virtualmente, principalmente em redes sociais, com a finalidade de se posicionar na luta contra a desigualdade e promover o aumento da visibilidade dos grupos excluídos. Assim, ter-se-á uma baixa nas taxas de preconceito e dessa maneira, do sofrimento psíquico enfrentado por esses indivíduos. Além disso, tais medidas ajudarão numa melhor aceitação e no engajamento dos grupos citados.