A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 30/07/2021

Para o filósofo Jean-Paul Sartre, “o ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher seu modo de agir”. Essa visão embora correta, não abrange todo o hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que não há representatividade na publicidade. Isso ocorre tanto em função da imposição dos padrões pela sociedade, como também pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Diante disso, é imprescindível conhecer e discutir os diversos estigmas dessa problemática, na propensão de solucioná-la.

A princípio, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jurgen Habermas, que consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, que demanda ampla informatividade prévia. Dessa forma, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam total conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Logo, a busca incessante para aderir e impor padrões inacessíveis definidos na sociedade, sem considerar a singularidade de cada indivíduo, levando-a para a publicidade, não pode ser aceita em nome do combate, também, ao individualismo e zelo pelo bem grupal.

Ademais, o controle de dados impulsiona a indústria cultural, teoria criada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segundo essa, a cultura de determinado local é substituída por uma que se sobressai, fenômeno intensificado pela concentração de renda. Em virtude de manipulações por autoridades governamentais e, de acordo com a Organização das Nações Unidas, o Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo; uma vez que os elementos da cultura a ser difundidos são vinculados aos que têm mais poder de voz. Isso causa perda de identidade dos povos que contribuem para uma uniformização do que é a beleza, que pode levar ao distúrbio de saúde mental, caracterizado por sentimentos de preocupação com as formas idealizadas de estética.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério das Comunicações, deve propor a criação de um conjunto de regras no qual garantam a representatividade na publicidade, por meio de um projeto de lei entrega à Câmara dos Deputados. Tais normas têm como finalidade assegurar que toda difusão pública de produtos ou serviços tenham ampla representatividade e servirão para garantir maior visibilidade e reconhecimento das minorias sociais. Como também, o Ministério da educação, deve promover debates sobre a importância de respeitar as diferenças de cada indivíduo para as escola. Espera-se, com essa ação, o controle desse problema.