A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 26/05/2021

Tendo início no século XIX, o Realismo de Machado de Assis buscava pela realidade social, representada em suas obras, crua, sem a idealização de algo inexistente. Simbolicamente, trazendo esse fato para a atualidade, pode-se associá-lo com uma representatividade no meio publicitário que ainda busca a idealização de pessoas, bens materiais e estilos de vida em diversas propagandas, mascarando a verdadeira realidade, onde a sociedade não se sente devidamente retratada e correspondida.

Diante disso, pode ressaltar que o ano de 2020 foi marcado por avanços nas diretrizes de identidade e do movimento anti-racista. No entanto, a publicidade ainda está longe do ideal no que diz respeito à representatividade. Um estudo feito pela ONU Mulheres e pela Heads Propaganda, analisou mais de 20 mil comerciais, coletando peças publicitárias na TV aberta e fechada, avaliando quesitos de gênero, raça e a comunidade LGBTQIA +, como tendo resultado, em comparação com os anos anteriores, a estagnação ou regressão dos dados representativos. A presença de homens negros em um cenário protagonista, caiu de 22% para 7%; em contra partida, a atuação de mulheres negras aumentou 5%, mas não supera a marca dos 25% - auge alcançado em 2018. Já as mulheres brancas, ainda representam 74% das personagens protagonistas.

Outros aspectos a casamento são os padrões de beleza e a representação da comunidade LGBTQIA + perante os meios publicitários. Segundo a mesma pesquisa, as mulheres de mais destaque nos cortes são brancas, jovens, magras, de cabelos lisos e castanhos. Já os homens são brancos, musculosos, também com cabelos lisos e castanhos. Essas definições em mais de 60% das propagandas, demonstrando a adiversidade da indústria em romper com os padrões impostos pela sociedade. Já a representação dos LGBTQIA +, para os desenvolvedores do levantamento, os dados são preocupantes, mostrando apenas 1,3% do reconhecimento em comerciais de televisão, uma porcentagem muito baixa se inserida na realidade atual, onde a voz de todos tem prioridade.

Tendo em vista os pontos regidos, é indispensável que a representatividade seja incluída e reforçada nos canais de comunicação, visto que o Brasil é um país extremamente miscigenado e com culturas diversas. Dito isso, se deve ao Poder Legislativo, junto com o Ministério da Cidadania, impor uma lei que conceda a maior participação de pessoas de diferentes singularidades em propagandas de grandes marcas e empresas, para o aumento da valorização da grande maioria da população brasileira, para que estes cidadãos se sintam representados e apresentando com a diversidade tomando proporções abrangentes dentro dos veículos de televisão.