A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 22/05/2021
Na obra ´´Nova Atlântida´´, Francis Bacon retrata a ilha de Besalém constituída por um Estado ideal e uma comunidade igualitária e justa. De conformidade com o livro, tem-se na conjuntura hodierna a importância da representatividade na publicidade como fator fundamental para a concretização do pensamento utópico. Desse modo, a mídia elitista e o preconceito impedem que esse cenário se torne possível.
De início, é essencial ressaltar que os meios midiáticos aristocráticos são obstáculos na visibilidade de minorias na publicidade. Nesse sentido, no livro ´´A sociedade do espetáculo´´, Guy Debord aborda sobre uma sociedade movida pelas aparências promovidas nas propagandas pelas classes dominantes. De encontro com a ideia, verifica-se os esteriótipos estabelecidos nos comerciais, majoritariamente, compostos por indivíduos brancos e magros, havendo poucos que mostram a beleza fidedigna, assim não representando a realidade. Diante disso, o verdadeiro é mascarado.
Além disso, é relevante evidenciar o papel do preconceito social na área de divulgação. Nesse viés,́ “Preconceito bloqueia a mente. Nada pode entrar. Nada verdadeiro pode escapar.”, segundo Gerry Spence, jurista americano. Semelhante à citação, configura-se a discriminação presente, principalmente, em anúncios publicitários que apresentam indivíduos LGBTQIA+ e acima do peso sendo alvos de piada, negros com papéis humildes e marginalizados, o que influencia a formação de opiniões intolerantes por parte do público. Por conseguinte, a diversidade é negligenciada.
Portanto, são necessárias estratégias para combater essa violação à pluralidade coletiva. Logo, é dever da Secretaria Especial de Comunicação Social, responsável pela liberação de verbas e gerenciamento de contratos publicitários do Governo Federal, promover a regulamentação das propagandas, exigindo que metade contenha e valorize a multiplicidade étnica e física da população, por meio do financiamento de empresas privadas, a fim de desenvolver um país igualitário e receptivo. Feito isso, a idealizada ilha de Besalém tornar-se-á próxima do cotidiano brasileiro.