A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 22/05/2021

Franz Joseph Gall, ao realizar estudos sobre a frenologia, dividiu o crânio humano em 27 seções com destaque para 3 áreas, as quais em brancos era mais desenvolvida, enquanto em negros essas partes apresentavam deficiências. Ordinalmente, essa análise equivocada reflete em diversos aspectos sociais como na publicidade, em que tem-se uma maioria branca protagonista. Isso corrobora a suma importância e necessidade da representatividade negra e feminina no ramo da propaganda, a fim de dissolver o conceito proposto por Gall.

Numa análise de expansão, cabe destacar que a desaproximação com o ideal de representatividade intensifica a importância do exposto. Isso pode ser observado em diversas propagandas midiáticas que enaltecem a pele clara, assim como nas redes sociais, nas quais a maioria dos influenciadores são brancos, fato que leva a construção de um molde de representação. Nesse panorama, Leonardo da Vinci personificou o ideal do ser humano ao criar um atlas da anatomia humana moderna. Sob esse contexto, a idealização do pintor projetou na mente da sociedade uma visão de que indivíduos perfeitos são os não negros e homens. Tal fato reflete na população ao padronizar conteúdos na publicidade e em meios digitais, além de restringir as características de protagonistas em campanhas virtuais.

Outrossim, é essencial afirmar que a quebra de estereótipos visando a redução da segregação social, torna-se um fator fundamental para a inclusão de negros na publicidade. Essa análise é vista, por exemplo, em novelas e comerciais que trazem atores com traços negróides para fazer papel de personagens de baixa classe e exercendo funções estereotipadas, como empregadas domésticas. Isso influencia na visão de crianças afrodescendentes e controi um imaginário de que somente brancos exercem cargos importantes e negros nunca ascenderão socialmente. Nesse contexto, observa-se nas reações químicas um reagente formando um produto, processo acelerado por um catalisador. Sob essa análise, tem-se que a herança colonial discriminadora apresenta-se como o reagente, enquanto o que acelera a reação é a representação de atores de pele clara na publicidade, formando o produto da  segregação e desigualdade.

É evidente, portanto, que é fundamental a construção de uma representatividade na publicidade. Logo, é preciso que o Ministério da Cultura, responsável por planejar e implantar políticas de incentivo à cultura, junto com as mídias, atue na construção de uma representatividade negra, por meio de campanhas e propagandas que coloquem em evidência a mulher negra, com a mídia exercendo papel de divulgação, a fim de quebrar com o ideal de Da Vinci e reduzir a divisão social.  Com isso, o estudo de Gall na frenologia não influenciará na publicidade e haverá o rompimento de estereótipos.