A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 22/05/2021
A partir do período de 1948, o regime então implantado na África do Sul, o Apartheid, foi caracterizado por sua discriminação e exclusão dos negros. Assim, proibidos de entrar em bairros, de sentar em bancos ou de até beber em bebedouros de brancos, tal raça sofreu inúmeros desrrespeitos e injustiças nesse período. Da mesma forma, mesmo após o seu término, tal caráter segregacionista atravessa o século XXI e impera dentro dos meios de comunicação, como filmes, revistas, propagandas, em que a falta de representatividade de alguns grupos étnicos contribui para a exclusão social. Destarte, não só o preconceito, como também o infraquecimento cultural, são reflexos dessa discussão.
Cabe ressaltar, a priori, que segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reporduzidos pelas pessoas. Sob esse viés, ao analisar o padrão de beleza e de estrutura corporal frisada pela mídia, vê-se que tal visão adotada por ela não se adequa à diversidade racial presente no Brasil. Isso porque, uma das características ímpares do país em questão é sua diverdidade e heterogeneidade cultural, contruída à partir de um imenso sincretismo. Todavia, quando se analisa alguns filmes, novelas, programas de TV ou revistas de moda, por exemplo, vê-se que a predominância de pessoas brancas, de olhos claros e de cabelo liso é predominante, em detrimento das negras, dos indígenas e dos mulatos.
Em consequência disso, diante da desvalorização e pouca representatividade nas mídias, alguns grupos são deixados de lado. Um exemplo claro disso é a presença pouco destacada dos pretos e pardos nas novelas brasileiras, que, apesar de estar em ascenção, ainda é caracterizada por seus papeis secundários. Tal fato revela, nada mais do que o tão presente preconceito dentro da sociedade e das mídias, a qual desvaloriza esses grupos étnicos, e corrobora para a exclusão. Dessa forma, tal realidade contraria a Constituição Brasileira, que em seu artigo 215, prevê o acesso e a valorização cultural à todas as pessoas e camadas sociais, como forma do desenvolvimento do país.
Com isso, vê-se que a falta de representatividade é um mal causado pelo preconceito e pela desvalorização, cujos reflexos abalam as estruturas da democracia brasileira. Logo, cabe ao Ministério da Cultura, em conjunto com ONGs, realizar eventos culturais que promovem a produção de filmes, revistas, novelas, que demonstrem e valorizem a heterogeneidade cultural brasileira, a partir de disponibilização de verbas à esses setores. Ademais, o Legislativo deverá promulgar uma lei que amplie o número de pretos, pardos e indígenas dentro das mídias, obrigando-as a ampliar a diversidade de pessoas nas novelas e filmes, a fim de democratizar a representetividade. Logo, feito isso, poder-se-á ter um país remoto à realidade do Apartheid, em que a harmonia cultural impera.