A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 24/05/2021

Com quase 70 edições, o Miss Universo é mundialmente questionado por levantar padrões estéticos na sociedade, em toda a sua história apenas 5 mulheres pretas foram coroadas. De maneira análoga, a representatividade na publicidade não faz jus aos consumidores, seja por raça, gênero ou sexualidade, isso afeta o comportamentos de diversas pessoas, incluindo crianças. Sob esse viés, a importância da representatividade na publicidade deve ser valorizada e realizada.

De início, a heterogeneidade do povo é enorme, assim como a dificuldade em agradar e representar a todos. Todavia, é o dever da publicidade cativar o público e, atualmente, a representatividade é o melhor caminho para tal. Segundo a TODXS 7a onda, protagonistas de TV são predominantemente brancos (64%), e os negros são seguidos por estereótipos como a sexualiização e marginalização. De modo semelhante, em 2020, o ator transgênero Thammy Miranda protagonizou uma campanha de dia dos pais da marca Natura, um grande passo para diversidade que, infelizmente, fora seguido por diversos ataques. Dessa forma, nota-se as falhas que ainda são enfrentadas e que, dificilmente serão resolvidas sem esforço e cobrança da população.

Por conseguinte, essa falta de igualdade na publicidade reflete na impossibilidade de identificação das minorias, que no Brasil são, numericamente, a maioria. Além disso, a sexualização da mulher, como em propagandas de cerveja, alimenta um pensamento machista e precipitado nas crianças, por exemplo. Ao ganhar o Miss Universo 2019, a africana Zozibini Tunzi escreveu “que toda garotinha […] acredite para sempre no poder de seus sonhos e possa ver seu rosto refletido no meu”. Por anos, garotas pretas e pardas brincaram com bonecas brancas e loiras, e os desenhos infantis ainda retratam apenas o modelo familiar “tradicional”. Nesse parâmetro, a presença de semelhantes serve para confortar uma criança, impedindo-a de sentir-se como se fosse imprópria ao mundo que vive.

Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que a publicidade brasileira alcance o nível de representatividade necessária. Sendo assim, o Estado deve, em parceria com as mídias privadas e por meios de leis, exigir uma equidade nesse setor. Desse modo, promoverá que cada brasileiro identifique-se com o que consome, tal como a lei que garante a presença de negros na televisão por meio de cotas. Com isso, será contemplada a melhoria das problemáticas aqui desenvolvidas, e realidades como a do Miss Universo e, da repercussão de propagandas como a do Thammy Miranda, serão revertidas e evitadas.