A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 24/05/2021

Na série norte-americana “O Gambito da Rainha”, Elizabeth Harmon é uma exímia jogadora de xadrez que conta com diversos desafios para estabelecer um espaço de expressividade e igualdade no esporte. Ao longo da trama, a personagem acaba se tornando campeã mundial de xadrez em uma época dominada pelos homens na competição. Nesse sentido, pode-se relacionar ao meio publicitário, a importância inegável da representatividade nos âmbitos racial, social e de gênero para desconstruir a realidade opressora dos grupos minoritários. Logo, fica claro que o comportamento social e o legado histórico acarretam na falta de representatividade na publicidade.

Primeiramente, é lícito postular a herança histórica como impulsionador desse revés. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora pensamentos difundidos ao longo dos anos e os reproduz com naturalidade. Nessa lógica, percebe-se uma irrealidade nos grandes veículos de publicidade e entretenimento, devido a influência midiática altamente exclusivista perpetuada durante muitos anos. Por exemplo, no Brasil, que tem como negros a maior parte da população, ainda apresenta majoritariamente mais brancos nos  programas televisionados.

Ademais, a irrefutável influência do comportamento social na problemática é um fator que dificulta sua resolução. Segundo o sociólogo George Simmel, que diz em sua teoria “Atitude Blasé”, que a indiferença social se faz fortemente presente na sociedade atual. Dessa maneira, o comportamento apático das pessoas no meio social contribui para a escassez de representatividade na publicidade, onde o individualismo e ideias preconceituosas ainda se fazem presentes e, assim, afirmando a teoria de Simmel. Por isso, é importante que os pensamentos negativos que influenciam essa área importante sejam rompidos.

Portanto, observa-se a necessidade de conter os desafios relacionados a representatividade na publicidade. Logo, a fim de tornar real as ideias retratadas no meio publicitário, sugere-se que os órgãos de autorregulamentação publicitária desenvolvam, por meio de pesquisas e verbas dos respectivos governos, mais cursos e projetos de publicidade com os grupos minoritários, que sejam trabalhados nas pautas culturais, raciais e de gênero. Além disso, é necessario que campanhas sejam feitas para reduzir o preconceito e os pensamentos individualista que assolam o mundo, plano que poderia ser realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), como visto na Agenda 2030. Com efeito, espera-se a consolidação das medidas e a melhora da tão importante representatividade na publicidade.