A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 27/05/2021
A representatividade é definida como a expressão dos interesses de um grupo na figura do representante, sendo um fator construtivo importante para a diversidade. Porém, na contemporaneidade, a falta de representatividade na publicidade ainda é analisada como um problema. Isso se deve, sobretudo ao racismo e à dificuldade da mídia de romper com os padrões de beleza. Desse modo, é urgente a reversibilidade do cenário em questão.
Apesar do racismo ser crime, de acordo com a Lei n⁰ 7.716 de 1989, ele permanece na mídia de maneira estrutural e sistêmica. Neste contexto, o livro “Cores e Contornos”, da jornalista Gabrielle Bettelbrum, problematiza a falta de diversidade nas capas de revistas brasileiras e mostra que, entre os anos de 2004 e 2014, apenas 5% das capas tiveram mulheres negras. Reiterando, assim, desigualdades em relação a determinados grupos, em especial mulheres negras. A desconstrução da normalidade da discriminação se faz, portanto, necessária.
Ademais, de acordo com o filósofo Friedrich Nietzche, o homem real é submetido a valores como elemento formador da cultura desde o nascimento. Sob o mesmo ponto de vista, observam-se que os padrões de beleza se tratam de aspectos culturais, presente por exemplo no meio publicitário, com a adoção de um modelo de corpo perfeito pela mídia. Neste sentido, um estudo desenvolvido pela Organização das Nações Unidas, mostrou que pessoas com deficiência tem apenas 0.8% de representatividade em campanhas publicitárias, demonstrando assim que a idealização de uma forma corporal ideal está enraizada na mídia. Logo, mitigar os estereótipos nas campanhas publicitárias se faz urgente.
Por conseguinte, observa-se a necessidade de atenuar os desafios relacionados a representatividade na publicidade. Para isso, é papel da mídia atuar de maneira mais inclusiva, por intermédio de capas de revistas e campanhas publicitárias que coloquem mulheres negras como protagonistas, dessa forma haverá mudanças de aspectos culturais em prol de mais igualdade, passando visibilidade e reconhecimento a um grupo que sobre com o racismo. Assim como, cabe ao Conselho Nacional de Autorregulamentação-CONAR desconstruir o estereótipo de corpo ideal presente na cultura brasileira atual, mediante campanha publicitária, no intuito de tornar as campanhas publicitárias mais acessíveis a todos. Dessa forma, o Brasil poderá evoluir como uma nação que zela pela diversidade.