A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 28/05/2021
Segundo o ator Paulo Autran, qualquer atividade cultural contra preconceitos é válida. Nesse contexto, as propagandas, que refletem a sociedade, tornam-se meios de reprodução de preconceitos e construções sociais que não mais são aceitas pelas pessoas, como a exclusão de negros, a hiperssexualização da mulher, o machismo, entre outros problemas sociais que devem ser tratados. De acordo com isso, é notória a importância de haver representatividade nas publicidades, devido ao seu caráter reprodutivo da realidade e da cultura e ao seu uso como meio de descontrução de padrões, convergindo com o ator supracitado.
A princípio, sabe-se que a propaganda utiliza situações cotidianas para vender seu produto, justamente para se aproximar do consumidor, no entanto, ela pode segregar ao mesmo tempo. Nesse âmbito, o filósofo Betinho afirma que um país muda pela sua cultura, não pela política ou economia. Analogamente, a falta de uma propaganda com uma protagonista negra, por exemplo, diz muito sobre a sociedade na qual se vive e sobre a marca, visto que os movimentos antirracistas, feministas e contra a homofobia crescem cada vez mais e exigem o respeito e a igualdade, inclusive em tais representações na mídia. Desse modo, se a publicidade representar a sociedade como um todo, incluindo, em vez de segregar, a cultura poderia mudar o país, seguindo o raciocínio de Betinho.
Ademais, as propagandas, como meio supracitado de reflexão e influência da cultura podem, e devem, utilizar seu alcance de modo relevante, e até mesmo educativo. Nesse prisma, as pessoas fazem a cultura, e não o inverso, segundo a escritora Chimamanda Adichie. Sob esse viés, os meios de divulgação, os quais fazem parte da cultura de massa, têm como dever esta responsabilidade de desconstrução, devido à sua significativa influência nos padrões da sociedade e às minorias precisarem de tal visibilidade, à qual poderia até mesmo aumentar o público consumidor de determinada marca. Desse modo, é perceptível a importância da publicidade como meio de representatividade, contribuindo com a cultura, alinhando-se com Chimamanda.
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para reiterar a importância da representatividade nas publicidades. Nesse sentido, o CONAR (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) e a mídia, grande influenciadora de opinião, devem criar uma política de fiscalização de propagandas que possam ofender algum grupo social, por meio da criação de algumas restrições e exigências, a fim de que a publicidade sirva como um reflexo da sociedade adequado. Desse modo, a publicidade se tornará uma atividade cultural contra preconceitos, de acordo com Paulo Autran.