A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 28/05/2021

O realismo, escola literária que surgiu no século XIX e tem como principal representante o escritor Machado de Assis, possui entre suas principais características a busca pela representação da real sociedade nas obras, sem a idealização do país e das pessoas. Simbolicamente, é possível associar o movimento realista à introdução da representatividade no âmbito publicitário, pois busca produzir propagandas com pessoas reais e histórias plurais. Desse modo, tornar a publicidade mais diversificada representa uma importância tanto social como econômica.

Em primeiro plano, é valido ressaltar que a construção do povo brasileiro aconteceu de maneira miscigenada, originando uma população diversidade física e cultural. De acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto Locomotiva, somente um terço dos consumidores se veem representados nas propagandas. Sob esse prisma, ainda hoje, isso ocorre devido à discriminação existente no meio publicitário, visto que preferem censurar certas pautas sociais a desgradarem ou contrariar as classes abastadas, que dirigem a nação nos campos financeiros, perpetuando as discriminações sociais. Por conseguinte, depreende-se que a representatividade em propagandas exerce um importante impacto social e contribuem para a aceitação e reconhecimento de diferentes raças, sexualidades e aparências, realidade a qual o país vivencia.

Outrossim, destaca-se a negligência governamental como fato a ser discutido no quesito de representatividade. De acordo com o filósofo, Michel Foucalt, na sociedade pós-moderna muitos temas seriam silenciados, com finalidade de manter camada de poderes. Dessa maneira, é indiscutível que o  Poder Público vai de encontro com a premissa foucaltianas, salientando a má atuação do Estado em inserir socialmente os grupos minoritários e preparar os cidadãos para lidarem com as diferenças. Consequentemente, não ressaltando a importancia da identificação de todos os brasileiros com as representações midiáticas.

Portanto, mudanças são importantes para garantir a representatividdade na publicidade. Logo, o Ministério das Comunicações deve levar ao Planalto, uma PEC a qual proponha, por meio da lei, uma inclusão das minorias nas publicidades, como negros, mulheres de diferentes corpos e pessoas LGBTQ, tendo em vista, a necessidade de garantir a equidade entre os cidadãos. Ademais, é dever dos Meios de Comunicação, tais como redes de televisão, internet e revistas, incentivar a aceitação e o reconhecimento das diferenças, mediante campanhas que trazem essas pessoas reais como foco, a fim de certificar a identificação do público. Sendo assim, publicidade brasileira se aproximará do proposto pela escola machadiana.