A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 07/06/2021

De acordo com o filósofo Jean Jacques Rousseau, uma “sociedade ideal” é onde todos nós somos todos, independentemente, de gênero ou raça. De modo adverso, ao observar o quadro publicitário brasileiro é possível afirmar a carência de representatividade na mídia quanto a grupos étnicos, de gêneros e raciais viventes no país, abrindo espaço para a criação de padrões. Dentre tantos grupos, pode-se destacar como vítima o grupo de raça negra, que vem sofrendo por muitos anos com uma falta de representatividade. Dessa forma, torna-se necessário a análise das razões envolvendo essa problemática.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que a irrelevância do Estado em combater essa adversidade é uma das causas da escassez de representatividade pública de pessoas negras, além da óbvia conhecida como racismo. Nesse contexto, como as escolhas dos protagonistas estão se tornando cada vez mais exclusivistas, principalmente em mulheres de tons de pele mais escuros. Segundo dados de uma análise, menos da metade das mulheres protagonistas das publicidades possuem, de fato, traços negroides, podendo observar tal afirmação através do tom de pele mais claro, ou no cabelo alisado ou nos traços finos. Em virtude disso, o real objetivo da representação é afetado, estabelecendo até mesmo um padrão elitista para as mulheres negras.

Em segundo plano, é significativo dizer que a representação de um padrão perfeito apresentado na mídia é um elemento causador da exclusão social de uma “minoria” populacional. O autor Guy Debord precisa de uma necessidade humana de omitir tragédias e demonstrar uma “vida perfeita” nas redes sociais no seu livro “Sociedade do Espetáculo”. Sob esse viés, pode-se afirmar que a comunidade é a culpada pela concepção humana de vida na sociedade. Dessa forma, torna-se padronizado um alcance inatingível da perfeição, com exceção da elite, para uma minoria especificamente, de pessoas de raça negra.

Evidencia-se, portanto, que a irrelevância estatal e a representação de uma perfeição inexistente agravam a carência da representatividade e precisam ser combatidos. Dessa forma, é dever do Ministério Público que, por meio de investimentos em campanhas publicitárias incluindo as minorias, crie leis que tornem obrigatório uma maior representatividade dos grupos sociais no meio midiático, diminuindo a ignorância do Estado, a fim de reduzir a exclusão social e mostrar a importância da representação para a sociedade. Além de corromper a visão inalcançável de vida perfeita demonstrada na mídia. Desse modo, o pensamento filosófico de Jean Jacques pode ser retratado no cenário brasileiro.