A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 27/05/2021

A adaptação da saga Bridgerton foi aclamada pela crítica especializada em razão da promoção da diversidade na escolha do elenco, com atores pretos, indianos e asiáticos nos papéis de protagonistas e aristocratas. De maneira análoga, a publicidade brasileira acompanha a tendência mundial de levar visibilidade ao escolher o rosto de suas peças. Entretanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que a representatividade seja efetiva e fatores como o preconceito, aliado à diferença de oportunidades contribuem para dificultar esse processo.

Cabe ressaltar em primeiro plano, a importância do retrato da pluralidade na mídia a fim de desmistificar conceitos erroneamente irraigados na sociedade verde e amarela. Nesse contexto, convém dialogar com as ideias do cientista Albert Einstein, quando afirmou que é mais simples desintegrar um átomo do que um preconceito. De modo semelhante, ainda existem pessoas que acreditam em estereótipos e impulsionam o racismo e a gordofobia, por exemplo. Com isso, a abordagem publicitária mostra-se extremamente relevante ao trazer identificação por parte de indivíduos que não se enquadram nos padrões impostos pela sociedade, além de fazer com que esses, se sintam motivadas a lutarem para conquistar seu espaço em grandes empresas.

É necessário apontar, em segundo plano, o abismo entre as oportunidades oferecidas aos indivíduos enquadrados nos padrões sociais, em comparação aos que quebram esses preceitos. Nesse contexto, a pesquisa publicada no jornal Folha de São Paulo em 2018, mostrou que a população de etnia preta representa mais de 66% do total de desempregados no Brasil. Entretanto, a presença desses grupos nas peças publicitárias causa uma reflexão nos espectadores, o que estimula a inclusão e reduz as dúvidas relativas a capacidade desses indivíduos.

Tendo em vista os fatos mencionados, é dever do minstério da Mulher, Família e Direitos Humanos (órgão do Governo responsável por zelar pelas minorias sociais) estimular as agências de publicidade a expandirem as peças com representatividade, por meio da concessão de benefícios fiscais aos que contratarem pessoas fora dos padrões impostos, a fim de ampliar a democratização das oportunidades oferecidas, assim como tornar cada vez mais comum a veiculação da pluralidade. Desse modo, a aclamação de Bridgerton poderá se repetir na publicidade nacional.