A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 28/05/2021
No livro “A República”, do filósofo grego Platão, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e vicissitudes. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a representatividade na publicidade apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Platão. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência dos governantes, quanto do contexto histórico-cultural do Brasil. Diante disso, torna-se fundamental a discussão da importância do tema, a fim do pleno funcionamento da nação.
Deve-se destacar, de início, a indiligência do Poder Público como um dos complicadores do problema. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar da população. Contudo, nota-se que a falta de representatividade nas campanhas midiáticas, rompe com as defesas do escritor iluminista, já que perante a Constituição Federal, todos os indivíduos são iguais, porém, quando se analisa a participação de minorias em propagandas publicitárias, percebe-se o descumprimento de tratados nacionais. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, a mídia ainda seja tão excludente, violando o que é exigido constituicionalmente.
Ademais, é imperativo destacar as raízes históricas de exclusão social como promotora do empecilho. Sendo assim, é válido pontuar que a comunidade LGBTQIA+ era impedida de doar sangue até maio de 2020, quando o STF derrubou tal restrição. À vista disso, vê-se que a intolerância se propagou em diversos meios, especialmente na publicidade. A título de exemplo, de acordo com a ONU Mulheres, só 25% das protagonistas em campanhas publicitárias são negras, tal dado envidencia o caráter preoconceituoso e segregacionista do meio midiático, visto que a maioria dos cidadãos brasileiros são negros, mas mesmo diante de tal fato eles não possuem lugar de destaque na mídia.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Com o intuito de mitigar a exclusão na publicidade, urge que o Ministério da educação — órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro — em parceria com os Estados e a mídia, exijam a participação plural dos grupos, especialmente, na “internet”. Também, por meio, do fortalecimento de diligências de repreensão que visam equidade, regulamentando os serviços de telecomunicação. Com o intuito de que, ao contrário do que afirma Sartre, o inferno deixe de ser o outro. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do óbice e a coletividade alcançará “A República”.