A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 02/06/2021

Em um episódio do seriado estadunidense “As visões da Raven”, a protagonista, negra e de altura mediana, ao tentar desfilar com um vestido de sua autoria, é barrada por não se adequar aos padrões estéticos associados às modelos de passarela. Paralelo à realidade, é possível ver que a representação das diversidades, mesmo tão importante, ainda é vilipendiada, principalmente na publicidade. As campanhas publicitárias brasileiras, que são destinadas a um povo tão plural, estão permeadas de estereótipos, arcaicos e pouco representativos, e de tabus, sustentados pelo conservadorismo, que não agregam ao processo de identificação pessoal e devem ser desconstruídos o mais rápido possível.

Em primeira análise, é importante pontuar que a publicidade ainda se utiliza de padrões estéticos que há muito tempo vêm sendo desmantelados por movimentos sociais, o que é prejudicial ao processo de representação da sociedade. Um exemplo a se citar é a questão feminina, em que mesmo o Feminismo tendo crescido nos últimos anos e 51% das mulheres serem negras, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a maioria das peças publicitárias usa corpos hiperssexualizados e majoritariamente brancos. Logo, como não representam a realidade de muitas pessoas, as campanhas devem ser readequadas.

Ademais, é importante acrescentar que, infelizmente, algumas empresas, ao tentarem ampliar a representatividade de suas campanhas, são criticadas e pouco aceitas pela população conservadora. Um grande exemplo é a propaganda de Dia dos Pais 2020, em que a marca de cosméticos “Natura” foi retaliada ao colocar, mesmo que dentre tantos homens cisgêneros, Thammy Miranda, um pai transexual. Assim, é visível que a opinião das pessoas às peças publicitárias é muito influente e devem estar mais dispostas a mudanças para que não interrompa a evolução da representação das diversidades.

Portanto, é imprescindível que as marcas de publicidade busquem equidade em suas campanhas, para que um maior número de pessoas sejam ouvidas e representadas. Para isso, é de suma importância que o Poder Legislativo, responsável pela elaboração das leis, por meio de uma Assembleia Constituinte, acrescente ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária a necessidade de se cumprir uma cota mínima de elementos de cada grupo social, a fim de representar uma parcela maior de indivíduos e tornar comum a diversidade, desconstruindo pré-conceitos conservadores e evitando críticas às empresas. Assim, a representatividade evoluirá e mais cidadãos serão simbolizados.