A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 01/06/2021

Os anos de 1950 ficaram conhecidos comos os ‘‘Anos Dourados’’. Foi uma década de revoluções tecnológicas com evidentes implicações sociais, especialmente do ponto de vista comunicacional, pois é nesse período que as propagandas invadem a rádio e a recém-chegada televisão. Paralelamente, por influência desse contexto, hoje, é notória a importância da representatividade na publicidade. Destarte, é imperativo pontuar seus benefícios para a plena cidadania, bem como ressaltar o preconceito como o entrave desse quadro, de modo que urgem medidas por parte do Estado.

Sob esse prisma, é válido afirmar que o desenvolvimento da sociedade moderna está ligada ao avanço do meio técnico-científico-informacional, haja vista a democratização do acesso à cultura e à informação que esse modelo proporcionou para as diversas camadas sociais. Nessa conjuntura, segundo os princípios filosóficos da ética utilitarista de Jeremy Bentham, a ação moralmente correta é aquela que possui a finalidade de promover o bem-estar e a maximização dos benefícios para a população. Essa dinâmica encontra eco acerca do papel substancial da representatividade na publicidade, porquanto os grupos sociais, como a comunidade LGBT, a população negra e os deficientes físicos encontraram motivos para a busca de seus direitos na sociedade, em detrimento da segregação social. Logo, esse profícuo cenário recrudesce o opimo exercício da cidadania.

Simultaneamente, entretanto, é lícito afirmar que determinada parcela conservadora da sociedade mostra-se resistente quando às ramificações que a publicidade adquire, o que polariza opiniões a respeito da representatividade na mídia. Nesse sentido, o conceito de ‘‘Violência simbólica’’, arquitetado pelo sociólogo Pierre Bordieu, ilustra bem tal perspectiva, uma vez que define o processo pelo qual a classe dominante impõe sua cultura aos dominados, expressando a interiorização das relações de poder sem contato físico. Analogamente, o preconceito - latente na mídia - obstaculiza o desenvolvimento da publicidade, sendo necessária a ação conjunta do Estado e da sociedade para a mitigação desse impasse que tolhe o bem-estar dos grupos marginalizados do bem-estar social.

Em suma, diante dos desafios supramencionados, fica clara a necessidade de medidas governamentais. Portanto, com o fito de abolir os esteriótipos associados à diversidade, a fim de garantir o pleno papel da representatividade como um mobilizador de direitos, torna-se imperioso que o Ministério da Cidadania, mediante ações orçamentárias, desenvolva um aplicativo digital pautado em uma espécie de algoritmo, o qual irá filtrar ações na mídia que violaram os direitos humanos, como atitudes preconceituosas direcionadas aos grupos protagonistas da publidade que sofrem ataques. Assim, o legado dos ‘‘Anos Dourados’’ será valorizado vultosamente na cultura nacional.