A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 02/06/2021
A boneca “Barbie” marcou gerações de crianças, porém muitas não se identificaram com sua forma padronizada, ou seja, ser loira, alta e magra. Apesar de atualmente ter havido algumas mudanças nas formas de representação da boneca e da mulher como um todo, ainda está longe desse padrão propagandeado por anos ser superado. Dessa forma, a falta de representatividade na publicidade é uma forma de violência, pois ela impossibilita a identificação da população.
Sob tal perspectiva, a presença majoritária de certos padrões na publicidade, os quais não representam a diversidade da população brasileira é uma forma velada de violência. Tal tese se correlaciona ao conceito do sociólogo francês, Pierre Bourdieu, de violência simbólica, o qual expressa os danos promovidos sem coerção física, isto é, de forma mascarada por meio de falas ou ações, por exemplo. No caso exposto, esse ataque indireto é explicitado pela intensa perpetuação de uma imagem que vai de encontro ao que é ocorre na realidade, o que evidencia uma relação desarmônica entre sociedade e a mídia em geral.
Consequentemente, essa constante representação de um padrão único e “perfeito” pelas mídias dificulta que o seu público se identifique com suas propagandas. De acordo com o IBGE, mais da metade da população se reconhece como preta ou parda. Contudo, essa estatística não se replica nas publicidades brasileiras, as quais são formadas, de acordo com a Agência Heads, por apenas 25% de negras entre todas a mulheres. Logo, percebe-se como há uma divergência entre esses dados, necessitando de urgente mudanças para que se tenha uma maior promoção da diversidade brasileira e, com isso, a sociedade consiga ter uma maior aceitação de suas diferenças.
Conclui-se, portanto, que medidas são necessárias para que haja maior representatividade na publicidade. Para isso, o Ministério da Educação deve, por meio de professores da rede pública e privada, promover aulas que valorizam a diversidade e que ressaltam a importância de preferir empresas, as quais exaltam a diferença da sociedade brasileira em suas propagandas. Assim, haverá uma maior pressão contra a perputação do padrão irreal sobre o comércio publicitário, atigindo, então, a finalidade de haver maior identificação do público com o que é exposto na mídia, uma vez que ela é fundamental para formar uma sociedade que aceita a si mesma e o outro.