A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 04/06/2021

Em sua obra “Vidas desperdiçadas”, o sociólogo Zygmunt Bauman relata que a modernidade líquida é o tempo da liberdade ao mesmo tempo em que é o da insegurança, evidenciando a ideia de que nossa cultura “descarta” imediatamente os indivíduos que questionam as organizações sociais. Essa concepção sociológica colabora para a reflexão da importância da representatividade na publicidade, na medida em que vê-se injustiças e preconceitos na mesma. Nesse sentido, é fundamental questionar por que existe em comerciais esses padrões “ideais” raciais e de gênero, bem como analisar de que modo esse processo impacta no comportamento pessoal e nas relações sociais.

Em virtude desse questionamento inicial, é preciso esclarecer que existe um problema na diversidade das publicidades, pois ao vermos elas, conseguimos perceber certos padrões seguidos pelos comerciais. Inclusive, essa questão está relacionada ao fato de que a parcela da população com maior poder de compra é a branca, visto que é consequência de um certo racismo estrutural e histórico. Nesse contexto, percebe-se que, como argumenta Bauman, o agir com insensatez, diante da questão que envolve a sociedade, evidencia a ideia de que está ocorrendo uma exclusão dos negros, de modo que aumenta o racismo em nossa sociedade. Dessa forma, não há dúvidas de que muitas pessoas não se sentem representadas nesses comerciais.

Nessa discussão, outro ponto relevante é de que, quando os negros são representados, eles são “embranquecidos”, em razão de seguir os padrões racistas. Aliás, não se pode esquecer de que esses negros ao participarem dessa vulgarização, perdem seus traços negróides. Com efeito, esse quadro vai de encontro à ideia de “imperativo moral”, elaborada pelo filósofo Immanuel Kant, de que o homem deve se comportar de modo que suas ações, ao serem replicadas por todo ser racional, resultem no bem-estar geral. Contudo, ao lançar olhar sobre a realidade, verifica-se o oposto do imperativo kantiano, pois essas ações não resultam em um bem estar geral, e sim em um aumento do preconceito. Assim, fica claro que existe uma injustiça, afinal, os negros não são representados de forma real.

Diante dessa realidade, constata-se a existência desses padrões preconceituosos, que são considerados perfeitos pela mídia. Portanto, é determinante que a população em geral estabeleça como meta trabalhos e projetos com pessoas de diversas raças e gêneros, promovendo manifestações e protestos pacíficos, a fim de acabar com esses padrões publicitários. Ademais, cabe ao MEC, possibilitar aos jovens estudantes uma educação racial, mediante palestras e teatros, implementando um currículo diversificado sobre representatividade, com o propósito de conscientizar futuras gerações. Com essas iniciativas, espera-se erradicar esse preconceito existente na sociedade e na publicidade.