A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 09/06/2021

Conforme a Constituição Cidadã, promulgada em 1988, todos os brasileiros, em termos de lei, devem ser tratados da mesma forma. No entanto, na prática, essa realidade é túrgida, uma vez que a falta de representatividade na publicidade brasileira assombra a sociedade. Logo, é de suma importância analisar a relevância da presença dessa representatividade: a promoção de diferentes perspectivas sociais e o rompimento de ideologias opressoras.

De início, convém enfatizar que a difusão de múltiplos pontos de vista é uma das consequências mais significativas da representatividade na publicidade brasileira. Sob esse viés, é válido relembrar que os grandes nomes da Sociologia no Brasil - Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro - são, na grande maioria, homens brancos. Em nenhum momento, afirmo que suas obras não sejam dotadas de criticidade; no entanto, apresentam uma certa limitação de vivência. Nesse sentido, pode-se dizer, por exemplo, que é a escritora Carolina de Jesus - mulher negra, mãe solteira e trabalhadora -, na obra Quarto de Despejo, consegue retratar a realidade de um segmento social com muito mais verossimilhança do que qualquer um dos sociólogos supracitados. Dessa forma, é indiscutível que o debate de uma realidade sob o olhar de um mesmo “padrão” de escritores ocasiona a formação de um pensamento limitado, já que a diversidade social foi excluída da equação.

Ademais, o rompimento de ideologias opressoras é mais um dos motivos de a publicidade diversificada no Brasil ser de extrema importância. Nesse contexto, segundo o livro “Ensaio sobre a cegueira” - de José Saramago, a sociedade contemporânea enfrenta uma doença abissal: a cegueira frente às ações discriminatórias. Nesse prisma analítico, essa realidade pode ser percebida em um simples comparativo entre revistas do início século XX, as quais representam a mulher como “a dona do lar” e as revistas do final do século XXI, as quais tratam a figura feminina como um símbolo de força e superação. Assim, é indubitável que a publicidade é o principal vetor para a disseminação de ideologias, tanto positivas quanto negativas. Portanto, é essencial que a diversidade seja incluída na publicidade com o objetivo de promover a inclusão social e romper os pensamentos opressores.

Depreende-se, pois, que a promoção da diversidade na publicidade brasileira é essencial para o desenvolvimento social. Destarte, urge que o Estado, por meio da criação de leis, aumente o número de cotas em propagandas nacionais, ou seja, deverá ser feita uma distribuição percentual equitativa, a qual abrigue todas as diversidades físicas e sociais dos cidadãos. Nesse ínterim, o intuito de tal medida é a promoção da diversidade dentro da publicidade brasileira. Feito isso, os direitos de inclusão social, assegurados pela Constituição de 1988, sairão do papel e se mostrarão na prática.