A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 12/06/2021
O filme “Felicidade Por Um Fio” mostra a jornada de Violet Jones até à aceitação de seu cabelo crespo e de sua beleza natural, esse processo influenciou diversos âmbitos de sua vida, incluindo o profissional, no qual a mesma começa a inserir dentro de seus projetos publicitários uma maior diversidade étnica e ideias fora do comum. Nesse âmbito, inicia-se uma reflexão a respeito da representatividade na publicidade e da sua importância dentro da sociedade. Desse modo, cabe destacar dois pontos cruciais: o preconceito gerado pela fuga dos padrões vigentes e a negligência governamental.
Diante dessa perspectiva, faz-se necessária a análise dos esterótipos estabelecidos pelo senso comum e frequentemente impostos como única alternativa correta. Dentro desse viés, o sociólogo Émile Durkheim diz que os fatos sociais são formas de agir e pensar que são externas ao indivíduo e coercitivas, à medida que funcionam como uma consciência coletiva. Porém, deve-se salientar que cada pessoa possui sua consciência individual e que, muitas vezes, são construídas pelo grupo visões discriminátorias e excludentes, sendo elas reforçadas através dos meios publicitários e responsáveis por suprimir essa individualidade de cada ser. Assim, é preciso representar em propagandas os setores desprezados pela sociedade, a fim de valorizar as diferenças entre as pessoas.
Outro ponto a ser destacado é a falta e ineficiência de ações governamentais com intuito de proporcionar a inclusão social. Nesse aspecto, o projeto de lei 504/20, que visa proibir a divulgação de anúncios que façam referência à comudidade LGBTQ+ relacionada a crianças, comprova a incoerência de um Estado que não cumpre com seu dever de promoção do acolhimento igualitário da população. Analogamente, é notável o impedimento da liberdade de expressão, dificultando o processo publicitário de aumento da diversidade e, consequentemente, engrandecendo a opressão aos já vuneráveis socialmente. Logo, mostra-se urgente a reversão de tal situação de preconceito.
Portanto, medidas que proporcionem a ampliação da representabilidade para populações reprimidas devem ser aplicadas. Posto isso, cabe às empresas privadas modificarem o conteúdo de suas publicidades de forma a torná-lo mais inclusivo e o Ministério da Cidadania deve, por meio de incentivos legais (através de parceria com o Poder Legislativo), promover a realização de tal modificação objetivando que todos os cosumidores se sintam representados na divulgação dos produtos. Dessa forma, a jornada de descorimento e amor próprio de muitos, como a de Violet Jones, poderá ser facilitada ao verem em qualquer meio de comunicação que eles não estão sozinhos.