A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 28/08/2021

A série brasileira ‘‘3%’’, criado pelo roteirista Pedro Aguilera no ano de 2016 - retra a incessante busca pelo direito de morar no ‘‘Mar Alto’’, uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e igualitária, desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante a baixa representativida na publicidade. Problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da falta de propagandas protagonizadas por negros, mas também do racismo estruturado. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro deletério.

Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar a carência de negros como protagonistas em obras publicitárias. A publicidade é uma atividade profissional dedicada à difusão pública de empresas, ideias e produtos, a qual não somente informa como também influência milhares de pessoas por multiplos meios de comunicação. Entretanto, tal influência se encontra em uma situação nociva, visto que devido a baixa protagonização de minorias, os mesmos se encontram em uma situação de não representatividade, criando um sentimento de exclusão danoso. Percebe-se tal ausência de participação quando, segundo a agência ‘‘Heads’’ somente 25% das participações em peças publicitárias são de negras.

Ademais, aponta-se o racismo estruturado como outro fator agravante da baixa representatividade no Brasil. Segundo o procedimento genealógico de Niezstche, todo problema deve ser entendido a partir de uma retrospectiva histórica, sob tal ótica, é inegável a relação da pouca representatividade com a escravidão, visto que no perído colonial o etnocentrismo imposto, não só excluia os negros, como também marginalizava os mesmos, resultando em um conceito de não aceitação e desvalorização presente nos meios comunicativos, até os dias de hoje. Enão, torna-se preferível a utilização de pessoas brancas em comerciais, excluindo os grupos menores da participação. Percebe-se tal desvalorização quando a atividade de homens negros se limita a 13% das obras publicitárias.

Infere-se, portanto,  a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição do descréscimo alegórico. Assim, cabe ao Congresso Nacional medir o aumento do percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na lei das diretrizes orçamentárias, ampliar a participação de pessoas afro-descendentes nas campanhas publicitárias, por meio de incentivos financeiros aos publicitários. Sendo, também necessário campanhas de conscientização contra racismo, ministradas por psicólogos, visando a extinção do racismo da sociedade contemporânea. Dessa forma, poder-se-á concretizar o ‘‘Mar alto’’ de Aguilera.