A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 21/06/2021

Para o filósofo polonês Zigmund Bauman, “na era da informação, a invisibilidade equivale à morte”. Decerto, na sociedade hodierna, ter voz e ser visto se configura como um aspecto indispensável para a sobrevivência de determinados grupos minoritários. Isso posto, a publicidade é uma ferramenta que deve dar voz a esses grupos, na medida em que a representatividade é necessária para dar visibilidade às minoras e para cooperar com a construção de uma autoimagem positiva, mostrando-lhes outras maneiras de viver.

A princípio, é válido ressaltar que a representatividade na publicidade é fulcral para dar visibilidade às minorias sociais. Nesse sentido, a mídia — veículo pelo qual as propagandas circulam — é uma instituição de grande alcance na coletividade, e a diversidade na representação, com pessoas negras, população LGBTQIA+ e mulheres não padrão, contribui com a desconstrução de paradigmas e preconceitos. Sob esse viés, o pensador britânico Nick Couldry, em sua obra “Por que a voz importa?”, reitera que a desigualdade de fala e ilustração leva inúmeros grupos sociais à inexistência. Desse modo, é imperioso reverter esse cenário de invisibilidade e silenciamento.

Outrossim, a representatividade na publicidade é imprescindível para a autoimagem da população marginalizada. Isso porque ao assistir, por exemplo, uma campanha publicitária com um protagonista negro, o indivíduo representado começa a enxergar para si novas perspectivas, o que dá esperança e força para lutar contra a opressão vivenciada todos os dias. Além disso, essa representação é especialmente importante para as pessoas trans, as quais cerca de 90%, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), têm como fonte de renda a prostituição. Destarte, é fulcral ampliar a multiplicidade no marketing, haja vista seu papel de trazer outras possibilidades de vida para as comunidades sub-representadas.

Portanto, é fundamental que se tomem medidas operantes para a inserção da representatividade na publicidade. Para isso, a mídia — instituição com forte influência no modo de pensar do cidadão — deve trazer essa problemática para o debate coletivo, por meio de programas com grande audiência, incorporação em cenas de novela e pequenos documentários que circularão nas grandes redes sociais, como Instagram e Facebook. Tudo isso deve ser feito com o intuito de ampliar a pluralidade de representação e, com isso, mitigar o preconceito predominante e permitir que as pessoas vejam a si mesmas representadas de outras formas. Por conseguinte, poderemos ter, quiçá, a visibilidade dos grupos minoritários.