A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 15/06/2021

A vinda da família real para o Brasil foi um evento que ocorreu durante o período de colonização do país, no ano de 1808. Além da chegada da corte e da realeza, os portugueses trouxeram consigo seus hábitos e sua cultura. Dessa forma, a influência eurocêntrica, sobretudo, nos padrões de beleza da época causou grande impacto para a sociedade local. Assim, na contemporaneidade, a influência exercida pelos europeus ainda se faz presente, principalmente, na publicidade. Isso posto, a ausência de representatividade comercial resulta em pressões sociais para o enquadramento em um padrão estético e a propagação do racismo e da discriminação.

Em primeira análise, é fundamental citar o documentário “O Dilema das Redes”, criado pela companhia Netflix. No qual, relata os impactos e a influência que as mídias sociais tem na vida das pessoas, uma vez que propaga padrões estéticos por meio das publicidades e propagandas inseridas nos aplicativos. Assim, tal imersão nas mídias sociais, seguido pela falta de representatividade nos anúncios, proporciona ao usuário uma pressão social para se enquadrar nos modelos existentes, fazendo com que o mesmo realize procedimentos estéticos perigosos e muitas vezes desnecessários.

Ademais, é fato que as grandes empresas vêm buscando modelos mais diversos para suas campanhas publicitárias. Entretanto, tais escolhas continuam representando apenas uma pequena parcela da população, pois o Brasil é extremamente diverso em decorrência de sua miscigenação. Além dos europeus, africanos e indígenas que fizeram parte do povoamento do país, muitos asiáticos também imigraram para o território no século XX. Contudo, mesmo sabendo da diversidade racial, a mídia continua investindo em anúncios contendo modelos com traços eurocêntricos. Logo, disseminando e incentivando discriminações raciais e culturais.

Infere-se, portanto, que ainda existem entraves para solucionar o problema em questão. Sendo assim, urge ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), órgão responsável pela publicidade no Brasil, incentivar as grandes empresas comerciais a fazerem uso da representatividade racial, cultural e de gênero em suas publicidades. Isso deve ser feito por meio de palestras e reuniões que comprovem a diversidade populacional, e que tal representatividade aumentará a aderência social ao produto em questão. Assim, espera-se que todas as pessoas do mundo, possam se sentir representadas em seu dia a dia.