A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 03/07/2021
É fato que a humanidade é diversificada, assim como pessoas são únicas pelas suas individualidades. É inegável também, que o Brasil em si é altamente miscigenado – por conta de ocorrências históricas, migrações e até mesmo a própria globalização, que o colocou em contato com diferentes povos e também culturas, formando o Brasil atual. Assim sendo, conclui-se que a mídia incluiria essa tão presente diversidade em suas obras e em seu marketing; entretanto, essa não é a situação real.
Não somente em obras literárias, cinematográficas ou jogos, mas, essa caracterização variada é necessária em publicidades também. De fato, a publicidade é uma forma de interação com o consumidor que influencia certas decisões e ações desse. Portanto, a idealização feita por meio da presença majoritária de pessoas brancas, heterossexuais e cisgênero, entre outros, com seus estereótipos de comportamento, nega ativamente uma parte da sociedade real que não se encaixa em um ou mais desses padrões. A exemplo, 26% equivale à retratação de pessoas negras ou pardas em publicidades brasileiras, mesmo que esses indivíduos representem 53% da sociedade. Não obstante, para as mulheres a prioridade é abrandar os traços negroides; de 25% das protagonistas, apenas 47% apresentam esses traços.
Eventualmente, esta mesma idealização pode ser limitante, pois intensifica preconceitos em relação a pessoas fora dos padrões impostos e gera a falta de empatia e até mesmo a ignorância. Dessa forma, a representatividade é extremamente importante para todos; além de uma oportunidade de evitar o problema anteriormente descrito, sentir-se representado e identificar-se, seja com uma personagem ou não, é uma sensação de reconhecimento e aceitação diante de vários. Assim, menciona-se publicidades como “Eu sou que sou” do conceito “Todo mundo é bem-vindo” da marca de cervejas Amstel – uma propaganda que representa os indivíduos da comunidade LGBTQIA+ e suas singularidades que os fazem únicos – e também, “Olha, Espia, Repara, tá tudo diferente” da empresa Avon, com representantes brasileiros diversos.
Em suma, a situação da representatividade na publicidade brasileira está em um processo de melhora, entretanto, há um longo caminho pela frente. É necessário um esforço e engajamento maior por parte das empresas ao desenvolverem suas publicidades e as disponibilizarem em diversas plataformas, normalizando a diversidade e apoiando seus consumidores reais. Desta forma, as publicidades se tornarão presentes nos movimentos dessas pessoas que buscam aceitação social e ajudarão no combate aos preconceitos. Além do mais, o que é melhor do que valorizar a beleza da diversificação do que representá-la como ela é, e apresentá-la ao mundo?