A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 02/07/2021

Numa sociedade contemporânea, não há nada mais natural do que a insatisfação das minorias diante da sua pouca representatividade no mercado publicitário, insatisfação esta, advinda não só da conscientização popular feita através de modernas ondas de movimentos defensores de pautas sociais, mas também pelo sentimento de consternação por não se sentir mais conectado com o mesmo universo ou sistema pelo qual a publicidade se sustenta.

Mesmo sendo notório a miscigenação no país e suas consequências, como as diversas etnias e grupos estéticos existentes, a publicidade brasileira vem se mostrando cada vez mais frágil para atingir uma parcela do público a qual não se sente mais representado pelas personas apresentados em seus projetos, como por exemplo, de acordo com a Pesquisa Mulheres (in)vísiveis em parceria com o Grupo ABC, 53% da população do país se considera negra ou parda, entretanto, somente uma pequena parcela de 26% das pessoas retratadas na publicidade pertencem a tal etnia. Tais mazelas no mercado publicitário são consequências vindas de uma sociedade estruturalmente racista e misógina, já que o mesmo instituto de pesquisa também demonstrou que as mulheres fazem parte também do grande grupo consumidor midiático insatisfeito e não representado pelas propagandas, uma vez que 78% das modelos femininas retratadas na publicidade são magras, tendo uma diferença esmagadora do verdadeiro recorte social, onde 48% das mulheres no país se encontram acima do peso.

Ademais, é correto pensar que a internet é o catalisador principal para a reformulação do mercado publicitário, já que, com a revolução nos meios de comunicação, a indústria precisou se encontrar novamente com o seu público-alvo. O mundo virtual se intensifica cada vez mais neste mercado ao passar das gerações, em virtude de ser um ambiente com potencial mais democrático e diversificado que o apresentado nas redes de Tv’s abertas ao passar dos anos. Na internet, não só existe uma maior valorização do potencial consumidor, mas também de novos métodos que fortalecem mais a relação público-publicitário, sendo estas as maiores “ameaças” as agências com campanhas estagnadas aos modelos da velha guarda televisiva.

Por fim, é dever direto do Estado fazer com que as minorias se sintam representadas por todo seu país, é necessário então, em parceria do Governo Federal com o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), a criação de uma Secretaria Especial de Minorias, para que, através de isenções tributárias e incentivos fiscais, agencias publicitárias que seguirem uma norma cotista, possam ser beneficiadas, e por fim, fazer com que grupos étnicos insatisfeitos com a indústria sejam finalmente representados.